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07 de novembro de 2017
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Tecnologia Construtiva

Arranha-céu de madeira

Cresce em vários países a construção de prédios altos em madeira. Tendência chega ao Brasil e primeiro edifício desse tipo será construído em São Paulo
Por Marcelo de Valécio

Leve, resistente, fácil de trabalhar e encontrada em abundância na natureza, a madeira é um dos materiais mais antigos utilizados pelo ser humano. Ao longo da História, quase todas as civilizações tiveram nela sua principal matéria-prima, sendo utilizada em móveis, utensílios domésticos, ferramentas, pontes, cabanas, barcos e outros meios de transporte. Durante muitos séculos a carpintaria foi considerada a arte mais importante desenvolvida pelo homem. Não por acaso, a arquitetura foi uma das áreas que mais sofreu influência do uso da madeira.

No Oriente e em vários países ocidentais, a madeira nunca deixou de ter participação central nas edificações. A novidade é que agora o material está sendo empregado na construção de grandes edifícios residenciais e comerciais. Países como Canadá, Austrália, Suíça, Áustria, Noruega, Reino Unido e Holanda já possuem prédios de seis a 20 andares feitos de madeira. “Existe estudo em andamento na Inglaterra para construção de um arranha-céu de 80 andares feito desse material”, revela Dario F. Guarita Neto, CEO e fundador da Amata, empresa de reflorestamento. Também nos EUA há uma torre de 80 andares sendo planejada para ser construída em madeira.

Mas o que tem levado esse material orgânico ganhar espaço em grandes estruturas? Para se ter ideia, em setembro, aconteceu em Bordeaux, na França, o Woodrise, primeiro Congresso Mundial de Construção Civil em Madeira. Delegações e palestrantes de diversos países, Brasil incluído, fizeram parte do evento, que discutiu, entre outros temas, a descarbonização da construção civil por meio dos prédios em altosura de madeira. Um dos argumentos utilizados pelos defensores do uso desse material está relacionado justamente ao seu baixo impacto ambiental, se comparado a escolhas tradicionais, como o concreto, o tijolo e o aço. Estima-se que o sistema construtivo tradicional represente cerca de 40% das emissões globais de carbono. “Extrai-se da natureza areia, calcário, brita etc., consumindo altas doses de energia, e se devolve lixo. É preciso buscar alternativas ambientalmente sustentáveis a esse sistema antigo e degradante”, frisa Euclésio Manoel Finatti, vice-presidente da área técnica do Sinduscon-PR.

Madeira é um dos poucos materiais de construção que precisa apenas dos recursos naturais para ser produzido e é completamente renovável. “Ao substituir fontes não renováveis por matéria-prima natural, ajudamos não apenas a tornar a cadeia da construção mais limpa, mas também valorizamos a floresta certificada, o que diminui a pressão sobre o desmatamento”, explica Dario Guarita Neto, apontando outra vantagem. “A substituição contribui também para descarbonizar a economia como um todo, uma vez que o plantio de árvores em grande escala captura a emissão de gases causadores do efeito estufa.” De acordo com o executivo, estudos internacionais indicam que o uso de madeira na construção civil pode reduzir a emissão de gases de efeito estufa em até 86%.