07 de novembro de 2017
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Entrevista

Em busca do super-pavimento de concreto

Em janeiro deste ano, o departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP, em São Paulo, finalizou a pavimentação de uma pista de concreto de 200 metros na Cidade Universitária, trecho que recebe diariamente um grande número de carros e ônibus. A obra faz parte de uma iniciativa pioneira no Brasil, por envolver a comunidade acadêmica, pela primeira vez no país, em testes práticos, em parceria com a iniciativa privada, voltados para o pavimento rígido de concreto continuamente armado, uma tecnologia inspirada na construção das interstatehighways americanas.

Com um investimento de R$ 500 mil, vindo da iniciativa privada, o estudo conta com o apoio de empresas como a Serveng Mineração e Engemix, além das Construtoras OAS e Odebrecht. O maior parceiro do projeto, no entanto, é o grupo Votorantim. Por meio das divisões Votorantim Cimentos e Votorantim Siderurgia, a companhia investiu cerca de R$ 100 mil no fornecimento de todo o concreto e das armações de aço utilizados para a construção da pista. Ao todo, a obra demandou mais de 25 caminhões de concreto de sete metros cúbicos cada.

Tecnologia mais resistente

Segundo o professor José Tadeu Balbo, chefe do departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP e responsável pelo estudo, o pavimento rígido tem uma durabilidade muito maior que o asfalto que compõe a maioria das estradas brasileiras, tecnicamente chamado de concreto betuminoso usinado e quente (Cbuq). “Devido à resistência do concreto, este padrão praticamente dispensa gastos de manutenção da estrada por um período muito mais longo que os pavimentos em asfalto”, diz.

Para se ter uma ideia, enquanto pavimentos flexíveis são projetados para ter uma vida útil de aproximadamente dez anos e necessitam de manutenções constantes, o rígido é tão resistente que pode ficar sem reparos por mais de 60 anos.

O segredo da durabilidade desse tipo de pavimentação está na armação contínua e na ausência de juntas. Os demais pavimentos são compostos por placas de concreto unidas por uma barra de transferência, que exerce a função de reforçar as juntas entre as placas e transferir as tensões mecânicas entre elas. Essas juntas, no entanto, são locais críticos para a formação de fissuras.

O concreto continuamente armado, por sua vez, distribui as tensões provenientes do tráfego de maneira uniforme no pavimento, sem concentrá-las na região do barramento. Nesse tipo de tecnologia, as juntas não são necessárias, já que as placas não são utilizadas, e a concretagem ocorre de forma contínua.