FECHAR
FECHAR
07 de dezembro de 2011
Voltar
Gestão Privada

Inteligência no asfalto

Recursos de transmissão de voz, dados e imagens, monitoramento em tempo real, classificadores de tráfego, entre outros, integram as rodovias inteligentes

A estrada da informação chegou, de fato, às rodovias brasileiras. E a palavra que melhor define o conceito é integração. Por quê? Simples: para ter uma visão completa do que acontece ao longo de sua extensão, uma concessionária precisa interligar suas praças de pedágio, monitorar as vias com câmeras, ter equipes mobilizadas com rádio e GPS, para citar alguns detalhes. E tudo isso confluindo, de forma concentrada, para um ponto comum – o centro de controle operacional (CCO), que possua inteligência para processar tantos dados e transformá-los em informação. Esse quadro pode ser encontrado em concessionárias como a Rota das Bandeiras e da Rodovias do Tietê, ambas no interior de São Paulo, e da Rota dos Coqueiros, em Pernambuco. Os exemplos não param por aí e envolvem outras estradas no País. “Não ficamos devendo nada a outras rodovias internacionais”, argumenta Alexandre Fontes, gerente de Tecnologia da Informação da Rota das Bandeiras, com a experiência de quem visitou várias estradas internacionais quando a concessionária paulista se preparava para implantar sua estrutura rodovia inteligente.

Pertencente ao grupo Odebrecht, a concessão envolve pouco mais do que 296 km de extensão, ligando as cidades de Mogi Guaçu a Jacareí. Desse total, cerca de 250 km de rota estão cobertos por uma rede de fibra óptica, com caixas de passagem a cada 1 km. Em telecomunicações, tal rede principal é conhecida como backbone ou coluna dorsal. As caixas de passagem são trechos onde a fibra sofreu emendas, o que permite também que a rede principal possa derivar, capilarizando a infraestrutura óptica para, por exemplo, um condomínio vizinho à rodovia. A própria concessionária não pode oferecer esse tipo de serviço, mas nada impede que ela alugue parte das fibras ópticas para uma operadora autorizada.

“Temos conversações adiantadas com três empresas que poderão explorar nossa rede”, adianta Fontes. Ele explica que o cabo de 36 fibras ópticas da concessionária foi instalado em dutos de polietileno de alta densidade, formando uma estrada dentro da estrada. Com sua coluna dorsal instalada, a concessionária ativou uma rede de comunicação de voz e dados totalmente IP, ou seja, usando o protocolo da internet. Com isso, ela cria uma rede privada entre seus vários usuários. Um funcionário lotado em Itatiba pode ligar para uma das praças de pedágio da empresa a custo zero, porque está usando a própria infraestru


A estrada da informação chegou, de fato, às rodovias brasileiras. E a palavra que melhor define o conceito é integração. Por quê? Simples: para ter uma visão completa do que acontece ao longo de sua extensão, uma concessionária precisa interligar suas praças de pedágio, monitorar as vias com câmeras, ter equipes mobilizadas com rádio e GPS, para citar alguns detalhes. E tudo isso confluindo, de forma concentrada, para um ponto comum – o centro de controle operacional (CCO), que possua inteligência para processar tantos dados e transformá-los em informação. Esse quadro pode ser encontrado em concessionárias como a Rota das Bandeiras e da Rodovias do Tietê, ambas no interior de São Paulo, e da Rota dos Coqueiros, em Pernambuco. Os exemplos não param por aí e envolvem outras estradas no País. “Não ficamos devendo nada a outras rodovias internacionais”, argumenta Alexandre Fontes, gerente de Tecnologia da Informação da Rota das Bandeiras, com a experiência de quem visitou várias estradas internacionais quando a concessionária paulista se preparava para implantar sua estrutura rodovia inteligente.

Pertencente ao grupo Odebrecht, a concessão envolve pouco mais do que 296 km de extensão, ligando as cidades de Mogi Guaçu a Jacareí. Desse total, cerca de 250 km de rota estão cobertos por uma rede de fibra óptica, com caixas de passagem a cada 1 km. Em telecomunicações, tal rede principal é conhecida como backbone ou coluna dorsal. As caixas de passagem são trechos onde a fibra sofreu emendas, o que permite também que a rede principal possa derivar, capilarizando a infraestrutura óptica para, por exemplo, um condomínio vizinho à rodovia. A própria concessionária não pode oferecer esse tipo de serviço, mas nada impede que ela alugue parte das fibras ópticas para uma operadora autorizada.

“Temos conversações adiantadas com três empresas que poderão explorar nossa rede”, adianta Fontes. Ele explica que o cabo de 36 fibras ópticas da concessionária foi instalado em dutos de polietileno de alta densidade, formando uma estrada dentro da estrada. Com sua coluna dorsal instalada, a concessionária ativou uma rede de comunicação de voz e dados totalmente IP, ou seja, usando o protocolo da internet. Com isso, ela cria uma rede privada entre seus vários usuários. Um funcionário lotado em Itatiba pode ligar para uma das praças de pedágio da empresa a custo zero, porque está usando a própria infraestrutura da Rota das Bandeiras.

A mesma rede de fibra óptica, que funciona como o canal físico de transporte de dados, voz e imagens, suportará a comunicação dos call boxes, que devem ser instalados a cada 1 km de via. Nos trechos duplicados o número de call boxes dobra. Os usuários da rodovia, que futuramente acessarão os telefones de emergência em caso de acidentes, provavelmente começarão a ser atendidos enquanto estiverem fazendo a ligação, pois as câmeras de monitoramento cobrem 60% da malha da Rota das Bandeiras e todos seus pontos estratégicos. São dispositivos analógicos, conectados a um encoder digital e ligados a um gravador, de forma que as imagens poderão ficar armazenadas durante 60 dias.  “Temos 73 câmeras ao longo da rodovia e deixamos de ser reativos. As entradas e saídas de cidades e os entroncamentos de rodovias estão constantemente sendo monitorados”, explica Fontes.

As equipes de campo, por sua vez, também estão altamente mobilizadas. Os colaboradores só usam o celular para se comunicar com redes externas à rodovia. Se estiverem próximos a um ponto fixo da empresa podem usar a telefonia IP via rede de fibra óptica. Do contrário, adotam o rádio digital. Esqueça aqueles aparelhos barulhentos e passivos do passado. Os rádios digitais funcionam como celular: mandam e recebem torpedos e ainda podem ter sistemas de GPS integrado, assim como os veículos de campo. Quando essa mesma equipe já estiver socorrendo um carro quebrado, por exemplo, provavelmente as imagens da câmera mais próxima estarão sendo exibidas no videowall do centro de controle operacional, que poderá despachar uma informação de alerta para um dos 11 painéis de mensagem em LED distribuídos pela Rota das Bandeiras.

Outro recurso da concessionária são os chamados classificadores de tráfego, que medem em tempo real o volume e a velocidade de veículos na rodovia. Eles estão distribuídos em 26 pontos da concessão e foram ativados há sete meses. Para o gerente de TI, quando a coleta de dados completar um ano, a empresa terá uma massa de informação madura o suficiente para informar a área operacional, que poderá cruzar a informação de volume, velocidade e desgaste do asfalto. Os mais de vinte dispositivos também mandam seus dados via a rede de fibra óptica. A informação de redução de velocidade em determinado ponto monitorado por um classificador de tráfego pode indicar um acidente, o que faz com que a câmera mais próxima seja colocada em foco pela equipe do CCO. Ou seja, inteligência = integração.

Além da ativação dos call boxes, a Rota das Bandeiras deverá adotar um sistema de gerenciamento inteligente, que vai cruzar rapidamente as informações oriundas de um telefone de emergência, sugerindo ao operador do CCO o alerta mais adequado a ser acionada nos painéis de mensagem, enquanto providencia um zoom na área do acidente. Essa ação pró ativa será complementada pela equipe de campo, que já possui veículo com rádio digital e celular com GPRS, rede de transmissão de dados de telefonia móvel, além de um dispositivo com tela no painel do veículo, que também pode emitir mensagens aos painéis (desde que autorizado pelo CCO). “É a tecnologia trabalhando para o operador e não o contrário”, argumenta Fontes.

Na Rodovias do Tietê, concessionária que administra 400 km de estradas também no interior de São Paulo, a tecnologia também está a favor da empresa. Ela possui uma rede de fibra óptica que cobre 360 km da sua concessão. Apenas 40 km de alças de acesso ficam de fora. O projeto de rodovia inteligente usa um backbone de 12 fibras, com a moderna tecnologia GPON (maior capacidade e menos rede). Normalmente, a concessionária utiliza 3 cabos e, em alguns casos, como a comunicação entre as praças, a demanda aumenta para cinco fibras. Mesmo assim, ela tem margem para locar o restante do cabeamento. Os dutos da rede enterrada foram instalados a uma profundidade média de 1,5 m, via método não destrutivo. A uma profundidade de 0,8 m há fitas de advertência para evitar acidentes.

Com a ativação da rede, a concessionária automatizou e integrou seus sistemas, desde os painéis de mensagens até o conjunto de 59 câmeras, que tem um raio de cobertura de 2,5 km e permitem um zoom 35 maior da imagem captada. “As câmeras cobrem 70% da malha da rodovia, concentrando a gravação de imagens em pontos estratégicos, caso dos locais de maior ocorrência de acidentes ou os trechos de serra”, informa Cláudio Rissardi, gestor de Automação e Manutenção da concessionária. Segundo ele, os dez painéis de mensagens, também interligados por fibra óptica, são comandados direto do CCO.

A Rodovia do Tietê também montou uma rede de rádio própria com cinco torres de telecomunicações na sua concessão, que são interligadas pela malha de fibra óptica. Essa ligação, chamada de backhaul, permite maior capacidade de transmissão de dados. As equipes de campo recebem ordens de serviço digitais por meio de rádios equipados também com GPS, reforçando a confiabilidade da localização.

Com seu backbone operacional, a concessionária também adotou a telefonia IP para comunicação entre pontos, o que permite a transmissão de voz, dados e imagens numa só estrada, interligando inclusive a futura rede de call boxes (432 ao todo) que será ativada até abril do ano que vem. O backbone permitirá também a identificação de vandalismo, com acionamento de câmeras e, provavelmente, identificação dos autores. Quem dá o alarme é o próprio equipamento, reforçando a máxima de que a tecnologia está trabalhando para os operadores no CCO.

Os contadores de tráfego, totalizando 15 ao longo da estrada, permitem que a empresa conheça o perfil de veículos nos trechos estratégicos. Uma tecnologia de inteligência, desenvolvida pela empresa ISSTV, vai concentrar todos os dados, inclusive o monitoramento nas praças de pedágio, que escaneiam as placas dos veículos, localizando, por exemplo, carros roubados, quando for o caso. “Todos os dados irão confluir para o nosso novo CCO, baseado em Salto, onde funcionará um telão com 12 cubos de 47 polegadas, triplicando o wall atual”, explica Rissardi.

Bem distante do interior de São Paulo, a Rota dos Coqueiros, aberta em junho do ano passado, tem um tráfego médio de 4 mil veículos durante a semana e cobre um trecho de 6,2 km. A concessão une a capital pernambucana ao porto de Suape e às praias do litoral sul do estado. De propriedade da Odebrecht Transport, em sociedade com o grupo Cornélio Brennand, a estrada reduziu em 90% o tempo de percurso da capital ao famoso porto. Constantemente monitorada, a estrada possui um conjunto de 20 câmeras, com alcance de 1 km cada e capacidade de zoom para até 35 vezes.

A montagem da estrutura de tecnologia foi feita pela Anixter, empresa distribuidora de produtos de comunicação, segurança e outros componentes. Ela coordenou a instalação do sistema inteligente, formado por circuito fechado de TV, plataforma de telefonia e outros dispositivos. Coordenou cerca de sete fornecedores nacionais e internacionais num pacote tecnológico que reduziu o custo de implantação entre 25% e 35%. Um dos destaques da rodovia é o software de monitoramento, com tecnologia russa da ISSTV, instalado em parte das câmeras de CFTV. Trata-se de um recurso avançado que analisa o tráfego e faz uma avaliação inteligente dos vídeos, computando dados como tamanho médio dos carros, taxa de ocupação de veículos em cada faixa, tudo isso de forma automática, alimentando o CCO da concessionária. Por ser de última geração, a versão do software elimina a necessidade de implantação em várias câmeras, otimizando assim sua adoção.

Segundo Alexandre Nastro, principal executivo da filial brasileira da ISSTV, a plataforma SecurOS instalada na Rota dos Coqueiros e em outras rodovias brasileiras, é uma solução de segurança e monitoramento que já dominaria 70% desse tipo de implementação em rodovias brasileiras. De acordo com ele, grandes concessionárias, caso da CCR, homologaram a tecnologia como padrão para sistemas de vigilância em concessões como a Ponte Rio-Niterói. Um dos módulos da tecnologia, por exemplo, é direcionada somente para leitura de placa de veículos, que tem um nível de acerto de 98% .

O cruzamento de informações viabilizado pelos recursos de monitoramento da ISSTV permitiu também que a Vioeste, concessionária pertencente à CCR, integrasse as imagens ao longo de sua estrada ao seu videowall no centro de operações. Antes da integração, o processo capturava as imagens e as apresentava na tela. A intervenção da ISSTV permitiu que a empresa tivesse o monitoramento de forma mais ativa e em tempo real, facilitando o gerenciamento de incidentes. “A integração agregou pelo menos 30% a mais de agilidade no atendimento de problemas”, informa Nastro.

No caso das rodovias, duas outras aplicações ganham destaque. A primeira delas é o controle efetivo do tráfego nas praças de pedágio. Tal controle, de acordo com ele, faz com que as  concessionárias tenham números exatos para discutir na negociação de seus contratos de concessão. O recurso também pode ser útil para as seguradoras: elas acessam informações de veículos roubados e podem acionar a polícia para recuperação dos carros.