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17 de fevereiro de 2018
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Métodos Construtivos - Formas

Retomada discreta

Novos pedidos de fornecimento de equipamentos, no final do ano, animaram as empresas do setor de fôrmas e escoramentos. Os sinais positivos do mercado imobiliário são apontados como fonte do otimismo
Por Marcelo de Valécio

O ramo da construção viveu momentos bastante distintos na última década e meia. Após um boom entre os anos 2004 e 2013, com crescimento médio de 4,5% ao ano − sendo que o auge foi atingido em 2010, quando o PIB setorial teve alta de 12% −, a partir do final de 2014, a crise econômica atingiu em cheio o setor. Desde então, a queda acumulada do PIB da construção supera os 14%, segundo o IBGE. Somente em 2017, a estimativa do Sinduscon-SP é de que o ano tenha fechado com queda de 6,4%. Mas a entidade projeta recuperação do PIB setorial para este ano, que deve fechar com crescimento de 2%. A razão para o otimismo vem da possível ampliação do crédito imobiliário, baseada na melhoria nos dados macroeconômicos, como inflação baixa e queda do juro real, bem como da redução dos estoques de imóveis.

“Nos últimos meses de 2017 houve aumento de propostas para fornecimentos de equipamentos no mercado predial, um sinal de retomada, ainda que discreto, mas válido”, revela Osvaldo Comenale Gamboa, presidente da Associação Brasileira de Fôrmas, Escoramentos e Acesso (Abrasfe) e diretor comercial da Doka Brasil. “Esperamos que isso aconteça também para os grandes projetos na área de infraestrutura ao longo de 2018, com algumas liberações de obras travadas há algum tempo.” Para Luis Cláudio Monteiro, diretor comercial da SH, os segmentos residencial, comercial e industrial devem despontar primeiro e o de infraestrutura, mais sensível à questão política, por último.

Com a crise e a queda de demanda longa e sucessiva, todos os envolvidos com a indústria da construção tiveram que se adaptar. “Além da redução no volume total de investimentos, ocorreu uma mudança na proporção de obras executadas pelas diferentes construtoras. Na área de infraestrutura, algumas empresas médias e internacionais ocuparam parte do espaço que surgiu com a redução do volume das grandes construtoras nacionais”, observa Ricardo Gusmão, diretor comercial da Mills. A retração do mercado fez com que as negociações se tornassem mais agressivas pelo lado das construtoras, “levando os preços de fôrmas e escoramento para sua mínima histórica”, acrescenta Luis Monteiro.

Por conta disso, algumas empresas do setor deslocaram ou venderam equipamentos para outros mercados, tentando adequar seus estoques à demanda. “As locadoras precisaram se ajustar internamente, dimensionar equipes de engenharia, operação e administração ao tamanho de mercado”, afirma Osvaldo Gamboa. Rui Esteves, diretor geral da Entrepose, lembra que a companhia teve de se adaptar à realidade do momento. “Com o segmento de grandes obras parado, mudamos nosso foco e passamos a atuar no setor de construção civil. Além disso, vendemos equipamentos ociosos para o exterior e diminuímos o quadro de funcionários para reduzir os custos”, diz.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral