07 de novembro de 2017
Voltar
Entrevista / Rodovias de concreto: o custo da eficiência

Além disso, o pavimento de concreto promove economia de 1% a 6% no consumo de combustíveis, em comparação com a via em pavimento flexível, segundo a pesquisa “Effects of Pavement Structure on Vehicle Fuel” National Research Council of Canada (NRC), realizada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). Como exemplo, apenas no trajeto São Paulo – Curitiba, via Régis Bittencourt, se esta fosse pavimentada em concreto, haveria uma economia de 16 milhões de litros de combustível por ano, o que equivale a 360 mil carros populares com tanque cheio, levando-se em conta o tráfego médio dessa rodovia (25 mil veículos/dia) e considerando que a economia média deles fosse de 3%.

A pavimentação de concreto gera economia no longo prazo, em virtude de sua durabilidade e segurança, além do menor impacto ambiental. O estudo a que me referi, feito em parceria com a Fundação Espaço ECO, apontou que a primeira manutenção nesse tipo de pavimentação é realizada após 20 anos de sua construção. Em contrapartida, a pavimentação em asfalto exige manutenção constante.

Em relação à segurança, vale destacar a redução de 14% a 20% na distância de frenagem com a utilização do concreto. Esse material também tem maior capacidade reflexiva, o que na prática melhora a iluminação e reduz o efeito ilha de calor nos grandes centros urbanos.

GC – A execução de um pavimento de concreto para rodovias exige cuidados técnicos diferenciados, desde o projeto até o controle tecnológico? No caso do projeto, este é definido de forma a assegurar desempenho estrutural diferente do pavimento flexível?

Maurício Russomano – Para assegurar o desempenho estrutural, pontuo três processos fundamentais: o primeiro, um bom projeto, bem elaborado e dimensionado; o segundo, uma boa execução, que cumpra as especificações dos projetistas, observando a relação água-cimento; e o terceiro, a manutenção adequada. Ressalto que estamos falando de um período de cerca de 20 anos sem intervenções severas no pavimento. Variações climáticas, terreno, tudo pode ser vencido com um bom projeto e uma boa execução. Há bons exemplos de execução neste sentido como a Serra de São Vicente, liberada para o tráfego em 2010, já com praticamente 8 anos de operação.

GC – Em que percentual o pavimento de concreto é mais caro, por quilômetro, quando comparado com o pavimento flexível e em que situações essa relação custo/benefício é mais favorável ao pavimento rígido?