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07 de novembro de 2017
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Entrevista / Rodovias de concreto: o custo da eficiência

Maurício Russomano – O custo do pavimento de concreto ou flexível pode ter variações dependendo da região e da disponibilidade de matéria-prima.

O estudo, citado anteriormente, comparou o desempenho econômico e ambiental de pavimentos de alto tráfego (VDMc–10.000) ao longo de 20 anos, contemplando a construção e manutenção, com volume igual ou superior a dez mil veículos diários bidirecionais comerciais, e avaliou o impacto econômico considerando o custo de produção, em cada uma das fases envolvidas no sistema de produto, sendo que para realizar uma comparação justa entre as alternativas, os valores de custo de construção e manutenção em anos diferentes foram trazidos para o valor presente. Os resultados mostram que a alternativa de pavimento rígido tem 26% menos custos do que a alternativa de pavimento flexível, considerando o todo: custo de implantação, manutenção, e os aspectos de utilização e sustentabilidade do pavimento.

GC – Em que proporção ele garante mais segurança aos usuários, produtividade e competitividade do setor de logística e da própria economia do País? Quais as vantagens, por exemplo, em termos de redução da distância de frenagem e eficiência no escoamento de água, não promovendo aquaplanagem?

Maurício Russomano – Os benefícios incluem aspectos de segurança  como a redução de 14% a 20% na distância de frenagem com a utilização do concreto e menor desgaste do veículo. Essa pavimentação evita ainda a aquaplanagem e gera maior capacidade reflexiva, permitindo melhor visibilidade e redução do consumo de energia elétrica para iluminação pública em até 40%. O pavimento em concreto é mais seguro em dias de chuva porque evita aquaplanagem, por conta da menor deformação física, e permite menor distância de frenagem.

Quanto à questão da produtividade e competitividade em relação ao combustível, lembramos o exemplo citado: se o pavimento fosse de concreto no trajeto São Paulo – Curitiba, via Régis Bittencourt, teríamos uma economia de 16 milhões de litros de combustível por ano, o que equivale a 360 mil carros populares com tanque cheio, levando-se em conta o tráfego médio dessa rodovia (25 mil veículos/dia).

GC – A despeito de todas essas vantagens, por que motivo apenas 4% das estradas brasileiras adotam essa alternativa?

Maurício Russomano – Para responder essa pergunta, teríamos que fazer uma análise mais profunda de aspectos como: matéria-prima, políticas públicas e história. No momento, podemos afirmar que o planejamento focado apenas no curto prazo impactou bastante neste cenário. Porém, o custo dos insumos do pavimento flexível tem aumentado muito nos últimos anos, o que começa a tornar a diferença econômica inicial menor.