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28 de janeiro de 2021
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A reviravolta do mercado imobiliário e seu papel na retomada do crescimento da economia

Em artigo, especialista aborda sobre a importância da construção civil para o PIB do país e como o mercado imobiliário contribui para o setor
Fonte: Assessoria de Imprensa

*Por Marcus Chiavegatto

Não se fala em outra coisa no mundo a não ser em crise: global, econômica, sanitária e, aqui no Brasil, também política. Muitos são os prognósticos para o mercado, em geral, e as projeções são cautelosas, algumas até apresentam uma visão bem pessimista do ponto de vista da retomada de crescimento econômico.

Praticamente todos os setores econômicos estão sendo afetados pela pandemia, alguns mais profundamente como turismo, aviação, entretenimento, serviços, comércio, em geral etc. mesmo após a reabertura dos mercados com o arrefecimento dos casos em diversos estados e municípios, houve um movimento de recuperação, mas que ainda mantém em alerta esses setores, sobretudo diante do risco de novas restrições por parte das autoridades políticas e sanitárias.

É verdade que alguns setores apresentaram um importante aumento nos seus resultados como o agronegócio que estima superar para o ano de 2020 US$ 100 bilhões em exportações, o comércio varejista (supermercados), mas infelizmente são poucos.

O setor da construção civil seguiu a mesma tendência de queda e experimentou, até meados do ano de 2020, efeitos nocivos na sua...


*Por Marcus Chiavegatto

Não se fala em outra coisa no mundo a não ser em crise: global, econômica, sanitária e, aqui no Brasil, também política. Muitos são os prognósticos para o mercado, em geral, e as projeções são cautelosas, algumas até apresentam uma visão bem pessimista do ponto de vista da retomada de crescimento econômico.

Praticamente todos os setores econômicos estão sendo afetados pela pandemia, alguns mais profundamente como turismo, aviação, entretenimento, serviços, comércio, em geral etc. mesmo após a reabertura dos mercados com o arrefecimento dos casos em diversos estados e municípios, houve um movimento de recuperação, mas que ainda mantém em alerta esses setores, sobretudo diante do risco de novas restrições por parte das autoridades políticas e sanitárias.

É verdade que alguns setores apresentaram um importante aumento nos seus resultados como o agronegócio que estima superar para o ano de 2020 US$ 100 bilhões em exportações, o comércio varejista (supermercados), mas infelizmente são poucos.

O setor da construção civil seguiu a mesma tendência de queda e experimentou, até meados do ano de 2020, efeitos nocivos na sua produção, gerados pela pandemia na economia das famílias, aumento de desemprego, queda abrupta na demanda por imóveis, políticas de isolamento social e restritivas de operação.

Essa tendência de queda, contudo, mudou de forma sensível a partir do mês de agosto, surpreendendo o setor, que viu lançamentos novos serem esgotados em 24 horas, mudanças no padrão de consumo, busca por um segundo imóvel e o mercado respondendo positivamente, melhorando as projeções para o setor no ano de 2021.

Já se espera que o ano que vem seja muito positivo para o mercado imobiliário e as empresas precisam estar preparadas para absorver essa demanda.

O foco desse artigo não é tanto o que se tem feito para evitar a força das ondas das crises sanitária e econômica que assolam as empresas e a sociedade como um todo, mas, como se sairá delas, e o papel que o setor da construção civil teve, tem e terá na retomada de crescimento quando da abertura do mercado pós-pandemia e como essa virada da perspectiva da produção, sobretudo com a mudança na visão de consumo das famílias, provocada pelas restrições que experimentaram nesse tempo de pandemia afeta todo esse cenário.

É inegável o valor que o setor da construção civil tem para o mercado e para a economia, em geral, em nosso país. Um recorte rápido no passado recente mostra que de 2014 a 2018, a descida do PIB do setor foi de 30%, enquanto a economia nacional teve retração.

No terceiro trimestre de 2019, comparando com o mesmo período do ano de 2018, a alta registrada foi de 4,4%, a maior dentre todos os setores de atividade. Em 2019, a Construção Civil cresceu 2% e esperava-se um incremento de 3% para o ano de 2020.
Com o ritmo que o setor vinha apresentando no ano de 2019, as projeções para o ano de 2020 eram otimistas, o que atrairia para a economia brasileira expansão de 2,2%, segundo a FGV/Fundação Getúlio Vargas, muito puxado pelos resultados desse setor.

Como visto, o papel do setor na retomada do mercado para os próximos anos, será fundamental, dada sua participação no PIB brasileiro, forte índice de empregabilidade e liquidez, associado à política atual de juros baixos e acesso facilitado ao crédito imobiliário, essenciais para a retomada de crescimento do Brasil pós-pandemia.

Dados obtidos na CBIC apontam que: “o potencial da construção civil torna-se exemplar quando consideramos o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no terceiro trimestre de 2019, com expansão de 0,6% em relação ao segundo trimestre e sinalizando um crescimento de 1,2% da economia brasileira em relação ao mesmo trimestre de 2018. Nesse contexto, a construção civil foi o segmento que registrou o maior crescimento, com 1,3% de expansão, acumulando 4,4%. Combinados, esses indicadores reforçam o que temos defendido há muito tempo: quando a construção civil vai bem, a economia brasileira reage rápido.”

Na guerra contra uma crise de proporções globais, certamente a melhor estratégia de defesa para a economia seja o ataque, ou seja, o país precisa apostar nos setores que terão mais potencial de reação, para que se possa pensar em recuperação da economia. Criar um ambiente de negócios favorável para atração de investimentos e com isso alavancar um retorno econômico sustentável e efetivo.

Como afirma a CBIC em sua matéria: “a indústria da construção é a que, hoje, tem maior capacidade para criar novos postos de trabalho com a qualidade, o volume e a capilaridade que o país precisa. Com forte impacto econômico e social, nossa atividade está na origem da produção de todos os bens e serviços, cumprindo um ciclo perfeito que cria empregos mesmo depois de finalizar e entregar seus empreendimentos. Horizontal, ao ser estimulada, a construção puxa consigo ao menos 62 outros segmentos da indústria.”

Por isso era uma preocupação do setor as políticas de acesso ao fundo de garantia por tempo de serviços (FGTS), de onde saem os recursos para as obras do programa minha casa e minha vida, por representar risco de perda de capacidade de investimento, lembrando que o setor concentrou mais de 50% dos investimentos no país.

“Em relação ao desempenho da economia, o resultado do PIB confirma as perspectivas de mercado de recuperação lenta e gradual. O investimento é a locomotiva que puxa o vagão do crescimento sustentado da economia. Sem investimento, a economia patina, não consegue construir as bases sólidas necessárias para o seu desenvolvimento”, avalia a economista Ieda Vasconcelos, da CBIC.

Com a queda da renda do brasileiro em razão da pandemia, especialmente nas classes mais favorecidas, é importante considerar que venha das classes menos favorecidas a força que setor precisa, acreditando-se que de lá poderá vir maior fôlego para que as empresas retomem sua operação, empreguem mais pessoas e mais rapidamente convertam resultados positivos para a economia nacional.

Não se pode ignorar que a construção civil é a que mais gera empregos no Brasil, não se limitando apenas a construtoras, imobiliárias, fabricantes e peças, e materiais. Toda parte de urbanismo, estradas e infraestrutura.

Cada oportunidade de emprego direta, outras 4,5 indiretas são gestadas na cadeia construtiva e outros setores, como eletrodomésticos, veículos, entre muitos outros.

O momento para o setor é determinante, impulsionando seus agentes a repensar o negócio e a considerar novas estratégias de mercado para acompanhar as tendências implantadas com o avanço e mudanças que estão chegando.

De forma surpreendente a demanda por imóveis aumentou e muitas empresas já projetam um próximo ano de resultados positivos. É preciso estar na vanguarda de tudo isso estruturando empresas e negócios para atender essa nova forma de pensar moradia dos brasileiros pós-pandemia.

Em entrevista à revista Exame, Diego Villar, presidente da construtora Moura Dubeux, analisando o mercado e as perspectivas para o ano de 2021 afirma que “a pandemia teve um certo viés positivo para a construção civil porque as pessoas acabaram fazendo uma reflexão sobre a forma como estão morando e que é possível fazer um upgrade.”.

Para o executivo, o caminho do equilíbrio fiscal que o governo federal vem buscando, a discussão das reformas, a queda acentuada da taxa básica de juros, dentre outros fatores, serão fatores que impulsionarão as vendas no ano de 2021.

Atendimento comercial virtual para venda de imóveis, visitas digitais às unidades oferecidas, emprego de tecnologia na cadeia produtiva barateando o custo da obra já são realidade que as empresas do setor estão enfrentando.

Da concepção do projeto à entrega do imóvel, todo o setor sentiu o peso das novidades que surgem no mundo, e o que antes eram possibilidades em estudo para implementações futuras, com a chegada da pandemia e da crise dela decorrente, tornou-se realidade nas rotinas do setor e terão participação decisiva no crescimento do PIB do setor.

É preciso muito diálogo de empresários, associações, sindicatos e demais entes da indústria da construção civil com governo e agentes públicos de financiamento imobiliário, para encontrar a melhor equação em busca de uma retomada mais efetiva do setor e com ele da economia do Brasil, para que os investimentos continuem e se intensifiquem, auxiliando uma recuperação da economia, geração de empregos e divisas para o Brasil.

*Marcus Chiavegatto (foto), Sócio e Advogado do MLA – Miranda Lima Advogados

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