FECHAR
11 de April de 2018
Voltar

Infraestrutura #

'BNDES competir com o mercado é uma estupidez'

Para novo presidente do banco, instituição terá de passar a trabalhar em parceria com o setor financeiro privado
Fonte: Assessoria de Imprensa

Dyogo Oliveira, que assumiu a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, vai mudar todos os processos internos decisórios da instituição. Terceiro presidente em menos de dois anos, o ex-ministro do Planejamento quer conduzir a “virada” do BNDES para uma nova realidade da economia com juros baixos. Na sua avaliação, o banco ainda é muito “quadradão” e precisa oferecer novos produtos. “O BNDES não foi desenhado para competir com o mercado”.

O que sr. vai fazer para mudar a paralisia do BNDES?

A área de infraestrutura tem de se modernizar. Precisa ter, ao menos, estruturas de financiamento “non recourse”, que usam como garantia a própria estrutura do projeto. Facilita a execução do projeto com os próprios recebíveis. Vamos atuar também por meio do mercado de capitais comprando debêntures e operações sindicalizadas. O banco não está parado. Desembolsou R$ 70 bilhões em 2017. O BNDES enfrenta dificuldades e é preciso uma série de ações para restabelecer a normalidade. Tem de revisar os processos internos, a maneira como as operações são organizadas e aprovadas, reduzir os prazos. Os modelos de financiamento têm de ser mais flexíveis. O banco ainda é muito quadradão: “o meu negócio é assim que funciona, se você quiser você pega”.

Qual sua prioridade?

A parceria com o setor privado. Vamos facilitar a utilização de recursos privados nos projetos. No foco de ação, colocamos inovação, tecnologia, desenvolvimento de novas empresas, negócios, as pequenas empresas – porque nesse mercado o banco tem ainda vantagem, o custo das empresas é vantajoso e tem espaço para avançar –, a infraestrutura e a área de comércio exterior.

Sua gestão vai ajudar a privatizar a Eletrobrás?

O BNDES tem papel fundamental, que é conduzir o processo. Vamos dar prioridade à Eletrobrás, começando pelas distribuidoras (o leilão das seis distribuidoras de energia administradas pela Eletrobrás está marcado para maio).

Qual é o grau de importância desse processo?

A privatização da Eletrobrás é a oportunidade de o País passar a ter uma empresa de classe mundial na área de energia. Hoje temos uma empresa descapitalizada, que não está participando nem dos leilões aqui no Brasil, sem perspectiva de investimentos no curto prazo, com dificuldades gerenciais e administrativas, nível de endividamento elevado. É uma empresa em dificuldades. O modelo de privatização, que é na verdade uma capitalização da empresa, pressupõe trazer dinheiro para ela voltar a investir.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral