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24 de maio de 2018
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Transporte

Demanda de primeira leva de aeroportos concedidos está 30% abaixo do previsto

Expectativa era de que 40 milhões de passageiros a mais utilizassem os terminais
Fonte: O Estado de São Paulo

A demanda dos cinco aeroportos concedidos à iniciativa privada no governo Dilma Rousseff está, em média, 30% abaixo do projetado na época dos leilões em 2012 e 2013. Levantamento feito pelo ‘Estado’, com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e nos editais de licitação, mostra que, até o ano passado, a frustração de demanda somava 40 milhões de passageiros nos aeroportos de Guarulhos (SP), Brasília, Viracopos (SP), Confins (MG) e Galeão (RJ).

A diferença entre a movimentação projetada e a real poderá se intensificar ainda mais com a atual disparada do dólar. Nesta quinta-feira, 17, a moeda americana fechou cotada em R$ 3,697 – o que poderá desestimular planos de viagens para o exterior e encarecer o preço no mercado doméstico, afirmam especialistas. A alta da cotação chega num momento em que algumas concessionárias começavam a registrar ligeira reação na demanda de passageiros – depois de uma drástica revisão nos números da época da licitação.

Com a forte recessão econômica, a curva projetada foi ficando mais distante da realidade vivida nos aeroportos. As receitas caíram e provocaram um descompasso entre o caixa e as obrigações das concessionárias. Hoje, os cinco aeroportos, que investiram bilhões na expansão dos terminais, operam com elevada ociosidade. Em Guarulhos, a capacidade subiu para 50 milhões de passageiros, mas a movimentação ficou em 37,5 milhões em 2017; em Brasília, a capacidade é de 25 milhões, para 16,8 milhões de passageiros.

O Aeroporto de Viracopos, que entrou com pedido de recuperação judicial no início deste mês, tem a pior marca entre os cinco aeroportos concedidos. Investiu R$ 3 bilhões para elevar a capacidade do terminal para 25 milhões de pessoas, mas no ano passado movimentou apenas 9,2 milhões de passageiros – ou seja, a ociosidade é de 63%. O Galeão vive o mesmo dilema, com quase 50% de ociosidade. “O fluxo de passageiros registrado em 2017 atende ao plano de negócio revisto pela concessionária, com base no cenário econômico enfrentado pelo País”, disse a concessionária, em nota.

Reequilíbrio. A frustração de demanda virou munição para as concessionárias que veem a necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. “Esse é um modelo de negócio que levava em consideração que o crescimento da economia seria contínuo; as projeções foram superestimadas, pensando num cenário que não ocorreu”, afirma Miguel Neto, sócio sênior do Miguel Neto Advogados.