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24 de janeiro de 2018
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Sustentabilidade

Descarte de lixo ainda é inadequado em mais da metade das cidades do país

Assim que fechar dia 20 de janeiro os portões do lixão da Estrutural, em Brasília, considerado um dos maiores do mundo, o Brasil ainda terá que lidar com problema semelhante em mais de metade dos seus municípios.
Fonte: Folha de São Paulo

Segundo o último levantamento do Ministério do Meio Ambiente, ao menos 56% dos municípios brasileiros recorrem a depósitos inadequados na hora de dar adeus a lixo que produzem.

Em 2016, ano dos dados mais recentes, 2.692 cidades depositavam a maior parcela dos resíduos sólidos urbanos em lixões. Outras 427 em "aterros controlados" –espaços que, embora com alguma tentativa de reduzir o impacto ambiental, continuam altamente poluentes.

É o caso do lixão da Estrutural, que nasceu no início dos anos 1960 e foi renomeado, décadas depois, de "aterro controlado do Jóquei".

Apesar da nova nomenclatura e tentativa de conter parte da emissão de gases pouco mudou em relação aos detritos acumulados sem proteção: 40 milhões de toneladas.

Agora, a previsão é que a atividade no local seja encerrada, como mostrou a Folha.

Há oito anos, essa orientação já havia sido recomendada para todo o país na lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O texto determinava o fechamento, até agosto de 2014, de todos os lixões –há 2.976, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública).

O lixo coletado passaria a ser destinado aos chamados aterros sanitários, modelo –com mecanismos de proteção do solo, controle de gases e tratamento do chorume.

COLETA

Esse prazo, porém, ainda não foi cumprido na maioria do país. Segundo o MMA, que monitora a política, apesar de alguns avanços, apenas 41% dos municípios já destinam a maior parcela do seu lixo nestes locais. Outras 177 cidades não responderam.

"Até 2010, pouco mais de 30% colocavam seus resíduos em aterros sanitários. Houve um crescimento, mas a velocidade com que a política é implementada é menor do que se esperava", diz a diretora de gestão de resíduos no ministério, Zilda Veloso.

Dados da Abrelpe, que coleta informações das empresas de limpeza urbana, também são desanimadores: então o total de cidades que recorria a depósitos irregulares estava em queda, agora, voltou a crescer –passou, em um ano, de 3.326 para 3.331.

Segundo o presidente da entidade, Carlos Silva Filho, o aumento é reflexo da restrição orçamentária das prefeituras. Para ele, a falta de recursos, de capacitação técnica e de vontade política estão entre os principais impasses para o fechamento dos lixões.

"Na hora que começa a fazer coleta seletiva, há um custo diário. Se não houver uma fonte de receita específica para esse processo, vamos ficar os próximos 20 a 30 anos discutindo a mesma coisa."

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral