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29 de março de 2018
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Sustentabilidade

Energia limpa tem potencial para suprir alta da demanda

Especialistas vinculam aumento da produção solar e eólica a mais pesquisa
Fonte: Folha de São Paulo

A demanda por eletricidade no país crescerá quase 200% em 30 anos, segundo estimativa do Ministério de Minas e Energia. E o Brasil, sobretudo o Nordeste, tem potencial para suprir parte do consumo com energia solar e eólica.

“É preciso, porém, haver interesse, investimento em pesquisas e legislação adequada”, afirma Alana Kelly Campos, coordenadora do curso de engenharia de energia da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido).

A produção de energia a partir do vento tem hoje maior capacidade instalada em comparação à solar, por ter entrado na matriz energética brasileira mais cedo (2009).

“Houve dias, no ano passado, em que a geração eólica chegou a abastecer 60% do consumo de energia do Nordeste”, afirma Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

A tendência é que continue a crescer e se afirme como uma energia limpa e de menor custo. “No último leilão, em dezembro de 2017, o preço da energia eólica ficou menor do que o da produzida pela usina de Belo Monte.”

Graças a usinas de rápida implantação, a previsão da Abeeólica para 2020 é que a energia eólica represente 12% da matriz brasileira e, até 2030, chegue até a 25%.

“Estamos entre os dez países com maior parque gerador eólico e entre os cinco que mais investem nessa fonte anualmente”, diz Gannoum.

ROYALTIES DOS VENTOS

Especialistas temem, no entanto, que uma possível cobrança de royalties dos ventos desacelere essa expansão. Essa é a proposta de emenda à Constituição (PEC97/2015), de autoria do deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI).

Heráclito argumenta que o vento é um recurso que pertence a todo o povo brasileiro e, assim, seria justo que os benefícios econômicos da atividade fossem compartilhados. Ele afirmou que defenderá também a cobrança de royalties da energia solar.

Para a Abeeólica, em vez de benefícios, a cobrança dos royalties representaria um custo adicional —que seria repassado para a tarifa nos leilões e, consequentemente, para o consumidor final. Isso diminuiria a competitividade da eólica e beneficiaria expansão por outras fontes.

“O Brasil estaria na contramão de mundo, que busca incentivar e até dar subsídios para fontes renováveis”, diz a presidente da associação.

ENERGIA SOLAR

O primeiro leilão do governo para contratação de energia de fonte solar foi feito somente em 2013. Fruto dessa oportunidade, o projeto Fontes Solar, da empresa italiana Enel no estado de Pernambuco, começou a produzir energia em agosto de 2015.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral