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08 de março de 2018
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Transporte

Fatia da Infraero em Guarulhos, Brasília e Confins atrai sócios

Quem assumiu a dianteira nas consultas foi o fundo Mubadala, de Abu Dhabi
Fonte: Folha de São Paulo

O governo começou a receber investidores interessados em comprar a fatia de 49% que a Infraero tem nos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Confins, concedidos no governo Dilma Rousseff.

Para Guarulhos, quem assumiu a dianteira nas consultas foi o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, que no ano passado assinou contrato de exclusividade para negociar fusões e aquisições na Invepar.

Membro da concessionária GRU Airport -- que administra o aeroporto de Guarulhos com a sul-africana ACSA--, a Invepar entrou na mira do Mubadala devido à fragilidade financeira causada pelo endividamento que tomou para vencer leilões, pela crise e pelo envolvimento da antiga sócia OAS na Lava Jato.

Procurada, a Invepar não quis se manifestar.

Em Brasília, o governo foi consultado pelos argentinos da Corporación América, sócios da Inframérica, que já administra o aeroporto, consolidando o padrão de que o interesse ainda está restrito aos atuais sócios privados ou empresas ligadas a eles.

Em Confins, não seria propriamente a CCR ou a Zürich, atuais sócias da concessionária BH Airport, mas um operador europeu que já atua com eles em outros empreendimentos. Inframérica e BH Airport não comentaram.

Sem revelar nomes dos interessados, a Secretaria de Aviação Civil confirma que há negociações e diz que já tem "termo de referência para contratação no BNDES, cronograma de modelagem e avaliação dos ativos".

A expectativa é que as operações ocorram ainda neste ano. Na previsão mais otimista será possível arrecadar até R$ 5 bilhões com a venda da participação da Infraero nos três aeroportos. Cálculos mais conservadores estimam menos de R$ 3 bilhões.

RACHA

A diferença nos números alimenta um racha no governo. Há uma frente favorável à venda, liderada por Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Maurício Quintella (Transportes) e Henrique Meirelles (Fazenda).

Do outro lado, está o secretário de empresas estatais do Planejamento, Fernando Soares, oposto ao negócio e com diálogo estreito com o ministro Dyogo Oliveira. A assessoria do ministério nega que o secretário tenha posição contrária à privatização.

"Entende-se que há desafios societários e de acordo de acionistas a serem resolvidos", diz o órgão em nota.

Um dos argumentos contra é o de que há risco de tais vendas não conseguirem repor os cerca de R$ 2 bilhões já aportados pelo Fundo Nacional de Aviação Civil desde o início das concessões.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral