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29 de março de 2018
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Sustentabilidade

Fortaleza tem projeto para dessalinizar água do mar

Plano é produzir mil litros por segundo até 2020; capital entra no sexto ano de seca
Fonte: Folha de São Paulo

A dessalinização da água do mar para fins potáveis, alternativa usada por países sob estresse hídrico como Israel e Austrália, começa a ser considerada para regiões metropolitanas brasileiras.

Fortaleza é a primeira capital com um projeto para produzir até mil litros de água por segundo por meio de dessalinização até 2020, o que ajudaria a dar sobrevida ao açude Castanhão, que abastece a Grande Fortaleza e está com sua capacidade abaixo de 4%.

O projeto deverá ser uma PPP —parceria público-privada— onde a empresa escolhida para construir e operar a planta terá a concessão do serviço por até 30 anos, prazo que ainda está sendo definido pelo governo do Ceará.

Em outubro de 2017, a Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) recebeu as propostas de manifestação de interesse das empresas para realização dos estudos sobre a planta de dessalinização.

Duas companhias estrangeiras foram escolhidas, a GS Inima Brasil, holding espanhola com acionistas sul-coreanos, e a também espanhola Acciona Água S/A.

Cada uma terá de apresentar, até o mês de maio, 15 estudos sobre a planta de dessalinização, com análises que vão de custos e tecnologias a serem empregadas a estudos de impacto ambiental.

A partir de maio, o governo terá dois meses para avaliar os estudos e abrirá edital para o recebimento das propostas, dentro dos critérios que serão especificados.

A empresa ficará responsável por investimento, construção e operação da planta de dessalinização. Os custos do projeto só serão divulgados após maio, mas estimativas apontam que o investimento necessário será da ordem de R$ 500 milhões.

Fortaleza entrou no sexto ano consecutivo de seca, e nos últimos dois anos o governo do Estado passou a considerar alternativas de abastecimento de água para a região metropolitana.

Operando na capacidade esperada, de mil litros por segundo, a unidade de dessalinização acrescentaria 12% na oferta de água da Grande Fortaleza, o que seria equivalente ao abastecimento de 720 mil pessoas.

Hoje a capital cearense e outros cinco municípios da região metropolitana são abastecidos por duas estações de tratamento de água, que produzem até 15 mil litros por segundo.

A preocupação do governo é que até 2050, a demanda supere a produção atual.

“A planta de dessalinização vai trazer um incremento para o abastecimento, mas não dá segurança completa. Vamos precisar de outras fontes, como o reúso de água na indústria” afirma Silvano Porto, gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará).

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral