FECHAR
01 de março de 2018
Voltar

Mineração

Investimento volta, mas Brasil perde liderança global

O capital retornou ao País, mas a paralisação da atividade nos últimos anos, provocada por queda de preços e discussões do marco regulatório, prejudicaram o setor
Fonte: DCI

Os investimentos em mineração e na pesquisa mineral estão voltando ao Brasil. No entanto, a paralisação da atividade nos últimos anos levou o País a perder a queda de braço com a Austrália pela liderança global de exportações.

Segundo o diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Marcelo Ribeiro Tunes, já é possível enxergar uma reversão da curva com o retorno do capital dos investidores aos projetos de mineração. “Tivemos no ano passado um início de recuperação da economia global, o que impactou os recursos minerais, com retorno do interesse em pesquisa mineral”, afirma.

No cenário específico do Brasil, o especialista ressalta a redução da insegurança jurídica acerca de marco regulatório e a criação de uma agência reguladora dedicada. Em julho do ano passado, o governo assinou três Medidas Provisórias (MPs) que alteraram 23 pontos no Código de Mineração. A MP 791/2017, que cria a Agência Nacional de Mineração (ANM), a MP 789/2017, que eleva a alíquota do royaltycobrado do minério de ferro de 2% para 4% e a MP 790/2017, que disciplina as obrigações, concessões de trechos, sanções, desonerações e regras para o relatório final das pesquisas minerais.

“A transformação do [Departamento Nacional de Produção Mineral] DNPM em agência, [a ANM] deve trazer uma desburocratização, o que irá impulsionar a pesquisa”, avalia Tunes. O único ponto que falta em termos de regulamentação hoje é o desenvolvimento do Marco Geral de Mineração, atualizando o regulamento de 1968.

Já o sócio da J. Mendo Consultoria, José Mendo, conta com a recuperação de outros setores da indústria para servir de locomotiva para o desempenho da mineração em 2018. “Até mesmo a construção civil deve retomar neste ano, puxando siderurgia e minério de ferro. O cenário é de otimismo moderado. As perspectivas de crescimento passam principalmente pela expansão da infraestrutura, que traz aço, cimento, brita, areia e argila. Devemos ter um ambiente de melhoria e de decisões de mais investimentos.”

Para Mendo, o avanço das obras de infraestrutura é essencial também para aumentar a competitividade da indústria extrativa mineral do País, visto que as dificuldades no transporte do minério estão entre os principais gargalos para o desenvolvimento. “O custo Brasil é muito influenciado pelas condições de nossas rodovias e ferrovias.”

Liderança perdida

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral