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11 de April de 2018
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Mercado #

Mercado de capitais poderá ter mais espaço no financiamento de projetos

Com menor participação do BNDES nas próximas licitações de infraestrutura, fundos de pensão devem ocupar a lacuna, mas, para isso, será preciso melhorar garantias para redução dos riscos
Fonte: DCI

O mercado de capitais é saída para a falta de fontes de financiamento para infraestrutura. A realidade, no entanto, ainda exige redução de risco de projetos, melhoria do modelo de licitação e novo papel do BNDES dentro da operação.

Na explicação do diretor gerente do Banco Bradesco BBI, Leandro de Miranda Araujo, a tendência é que, com a redução da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento de projetos, o mercado de capitais ganhe cada vez mais espaço através de duas vertentes: debêntures [títulos de dívida] de infraestrutura e fundos de pensão.

“Acho que as pessoas físicas vão ter uma vantagem competitiva pela isenção de imposto de renda, o que faz com que caia o custo para o tomador dos recursos, mas aqui as pessoas físicas têm um horizonte de investimento de no máximo cinco ou sete anos. Para projetos maiores acho que os fundos de pensão fazem bastante sentido”, destaca Araujo.

Apesar do mercado extremamente líquido, o problema, para ele, é a carência dos títulos de dívida corporativa, sobretudo pela demanda de mercado de notas duplo A e triplo A, ou seja com melhor qualidade creditícia.

“Acho que naturalmente o mercado de capitais vai ser sócio do BNDES nessas operações de melhor risco de crédito e vai ser amparado pelos bancos nas operações que sejam de menor qualidade creditícia até que elas venham a ficar numa qualidade creditícia maior”, explica.

Compliance

Para conseguir atrair estes fundos de pensão, no entanto, é imprescindível diminuir o risco dos projetos. “É necessário ter operações bem estruturadas, que consigam mitigar os diversos riscos, sejam eles operacionais, ambientais, de receita, riscos específicos de cada cidade onde está localizado o projetos, das receitas. Quanto melhor o componente de risco, melhor o rating e a absorção dele pelo mercado”, explicou Araujo durante o Seminário MBA PPP e Concessões realizado pela FESPSP.

“A gente precisa atrair esse capital de longo prazo que é o fundo de pensão. E quando você poupa para a sua aposentadoria, o que quer? Um investimento seguro e estável. Você aceita um retorno menor, desde que seja seguro”, acrescenta o sócio-diretor de governo e regulação da KPMG e coordenador do projeto Infra2038, Diogo Mac Cord de Faria.

Por isso, para trazer conforto para esse investidor, sobretudo o estrangeiro, ele destaca que o projeto deverá ser racional, transparente e ter um conjunto de regras de compliance. Segundo ele, o projeto tem dois momentos e a tendência é que na fase de construção – mais arriscada – participem fundos como os de private equity, que assumem maior risco e têm visão de curto prazo, para posteriormente vender para um fundo de pensão.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral