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08 de fevereiro de 2018
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Sustentabilidade

O futuro depende de redes globais de cidades

Afinal, na metade do século 21 mais de dois terços da população mundial será urbana
Fonte: O Estado de São Paulo

Em meio ao fluxo incessante de notícias sombrias sobre mudança climática, há um vislumbre de esperança. Enquanto alguns países recuam de seus compromissos recentes com a redução da emissão de gases de efeito estufa, pequenas, médias e grandes cidades se habilitam a assumir essa tarefa. Em todo o mundo, prefeitos esclarecidos agem para reduzir suas emissões de carbono. Nesse processo, surge uma nova política de cidades empoderadas. Mas a questão é se as cidades vão colaborar ou competir com os Estados-nação.

A simples escala da diplomacia do clima empreendida pelas cidades é empolgante. No último ano quase 7.500 cidades, representando mais de 681 milhões de pessoas, se comprometeram com um pacto global pelo clima e energia. O objetivo declarado dessas cidades é acelerar ações que possam cumprir e, em última instância, exceder as metas do Acordo do Clima de Paris. E elas estão bem adiantadas: pelo menos 8 mil cidades já adotaram a energia solar e 300 são completamente autônomas em termos de energia. Os chamados “prefeitos pelo clima” demonstram uma capacidade de liderança que falta a seus correspondentes nos governos nacionais.

Quer os Estados-nação gostem ou não, as cidades abrem caminho para conquistar um lugar à mesa das decisões sobre políticas públicas globais. Isso é mais radical do que parece. Elas têm sido há muito tempo relegadas por organismos interestatais como a ONU e o Banco Mundial. Quando participavam da agenda global, seu envolvimento costumava ser passivo e canalizado via governos nacionais. Mas a maré está mudando. Líderes de cidades exigem que sua voz seja ouvida em algumas das questões mais complexas do momento, de mudança climática e desigualdade a segurança e migração.

As cidades também provam ser um antídoto imprevisto contra o nacionalismo reacionário. Quando, recentemente, o governo Trump assinou um decreto executivo que reduzia os recursos financeiros destinados a “cidades-santuário” que protegiam imigrantes sem documentação, mais de 380 Estados, condados e municípios americanos se recusaram a aplicar essa legislação. Depois que, neste mês, a Casa Branca decidiu boicotar as negociações sobre acordos globais para administrar a migração, as maiores cidades dos EUA, a despeito disso, declararam estar determinadas a levar adiante essas conversações.

Algumas cidades também tomam a medida inédita de recorrer diretamente a organizações internacionais para moldar processos multilaterais. Em novembro, a Organização Internacional para as Migrações reconheceu o papel central das cidades no provimento de moradia, atenção à saúde, educação e serviços sociais a pessoas deslocadas. Em dezembro, prefeitos solicitaram que o Alto Comissariado da ONU para Refugiados requeira a participação deles no estabelecimento da agenda de alto nível, acelere o compartilhamento de lições entre cidades e consulte regularmente municipalidades sobre questões relacionadas a refugiados.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral