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quarta-feira - 08 de setembro de 2010
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| Especial Arquitetura |
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Detalhes de Niemeyer se tornaram símbolos do modernismo |
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Por: Juliana Boechat Fonte: Correio braziliense Com uma canetinha preta, o arquiteto Oscar Niemeyer esboça no papel branco o que será uma obra de arte. Idealiza as curvas soltas no ar, os pingos de concreto tocando o chão e simples traços que se encaixam perfeitamente. Para leigos, os trabalhos parecem todos iguais: cúpulas, arcos e formas tortuosas. Mas são os pequenos detalhes que garantem a diferença entre elas. Amigos próximos a Niemeyer acreditam que não é possível definir em poucas palavras a produção do modernista de 102 anos. “Olhando para a obra, você vê a assinatura dele. É como uma música: se você ouve Chico Buarque, você sabe que é Chico Buarque”, comparou o arquiteto Jair Valera, que trabalha no escritório de Niemeyer, no Rio de Janeiro. O autor dos trabalhos é ainda mais direto ao fazer essa distinção: as obras não têm nada a ver uma com a outra. Aos olhos de um brasiliense, o Centro Cultural Internacional Niemeyer, em Avilés, na Espanha, lembra muito o Museu Nacional de Brasília, inaugurado em 2006, na Esplanada dos Ministérios. A grande cúpula branca, as rampas suspensas e a dimensão do prédio parecem ter surgido da mesma ideia. Mas o responsável pelos traços exóticos é duro na análise da própria produção: elas não se parecem em nada. “Não é porque são duas cúpulas, que elas têm de ser iguais. O cálculo do Teatro Nacional, da Espanha, é bem mais complicado, foi mais difícil de fazer”, explicou. Surpresa Em Brasília, a cúpula monumental localizada entre a Catedral e a Biblioteca Nacional conta também com um mezanino e uma rampa externa que liga o primeiro ao segundo andar. No térreo fica o auditório equipado para a realização de palestras, shows e apresentações artísticas. Já no espaço á beira-mar de Niterói, Oscar Niemeyer usou e abusou de curvas. Fantasiou. A maior cúpula abrigará um auditório e, logo ao lado, será instalada a Fundação Oscar Niemeyer. Outra estrutura arredondada flutua entre o concreto armado da Catedral idealizada pelo arquiteto em formado de uma pombinha. “A cúpula fica ali no meio, solta no ar. É uma estrutura que jamais será vista em outro lugar”, orgulha-se. “As curvas feitas por Niemeyer variam dependendo do programa. Mas, como ele tem feito muitos centros culturais, é quase sempre o mesmo tipo de obra”, explica Jair. As estruturas têm representações diferentes, dependendo de onde sejam instaladas: magnitude, religiosidade ou poder como, por exemplo, as do Congresso Nacional. Ondas e arcos também são característicos na produção de Niemeyer. O formato ondulado da Universidade de Brasília (UnB) batizou o principal corredor do centro de ensino: o minhocão. O formato dos prédios da sede do Partido Comunista francês e do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro (TSE) têm a mesma forma. Mas, entre todos esses, o que possui as ondas mais destacadas é o Copan, no coração da capital paulista. O edifício residencial virou ponto turístico. Volta e meia, pessoas param em frente ao prédio para registrar através de lentes cada detalhe da obra arquitetônica. Os arcos também estão presentes em monumentos e edifícios governamentais, como é o caso do Palácio da Justiça e do Itamaraty, localizados um de frente para o outro ao fim da Esplanada dos Ministérios. Niemeyer considera a arquitetura dos dois prédios simples e elegante. “Seria como um momento de pausa e reflexão para melhor compreenderem a arquitetura mais livre que prefiro”, disse. Os traços chamam atenção em qualquer lugar do mundo. E, hoje, muitos países querem contar com um registro do arquiteto modernista. O Palácio do Planalto, primeira obra dele em Brasília, ganhou pilastras tão bem feitas que, mais tarde, foram copiadas nos Estados Unidos, na Grécia e na Líbia. “As cópias não me incomodavam, eu as aceitava satisfeito. Era a prova de que o meu trabalho agradava a muita gente”. Brasília é o período de maior produção de Oscar Niemeyer. Ele construiu o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, um de frente para o outro com uma semelhança : os dois apenas tocam o chão. Anos depois, veio a era dos prédios espelhados, como a Procuradoria Geral da República e os anexos de alguns tribunais. Na revista de arte, cultura e arquitetura de Oscar Niemeyer, intitulada Nosso caminho, lançada em 1º de junho último, o arquiteto lembra com carinho da primeira viagem que fez ao cerrado, ao local onde seria erguida Brasília. O então ministro da Guerra, general Lott, perguntou, preocupado, ao arquiteto: “Os prédios do Exército serão modernos ou clássicos?”. E ele respondeu: “Numa guerra, o senhor prefere armas modernas ou clássicas?”. E o general sorriu. A partir de então, Niemeyer desenhou mais prédios para ocupar a cidade onde o céu parece ser maior e que, mais tarde, virariam referências arquitetônicas no Brasil e no mundo. Para saber mais Centenário e produtivo De graça |
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