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03 de novembro de 2017 - 01h02

Setor eólico enfrenta ventos contrários

O Brasil está colhendo uma excelente “safra” de ventos. No mês de agosto, a geração de energia eólica atingiu a participação de 10% na matriz elétrica brasileira, com 5.825 MWmédios. Foi a primeira vez que esta fonte alternativa atingiu dois dígitos de representação na matriz, segundo o Boletim de Dados Mensais da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), de outubro de 2017.

Este marco emblemático é consequência da instalação de 400 parques eólicos, somando um total de 5.200 aerogeradores, o que resulta em 10 GW de capacidade instalada. E confirma a expectativa de que o Brasil possui umas das melhores condições de vento do mundo, além de uma enorme vocação para desenvolvimento de energia sustentável.

Os números, que representam um novo patamar para o setor, inserem o Nordeste brasileiro no mapa mundial dos ventos. É de lá que sai a grande força de produção para o País. O Rio Grande do Norte é o maior produtor nacional, com 1.227 MW médios em 2017, aumento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida vem a Bahia, com 819 MW médios produzidos (+30%). O Ceará ocupa a quarta posição, com 494 MW médios (1,3%), ficando atrás do Rio Grande do Sul, que alcançou 565,6 MW médios (16,3%).

O cenário é muito promissor, com grande potencial de crescimento e geração de negócios. Mas o setor enfrenta ventos contrários que vêm justamente de quem deveria criar as condições necessárias para o seu desenvolvimento: o governo federal.

As empresas de energia eólica estão apreensivas com a falta de definição das datas dos leilões e a ausência de regularidade nos pleitos tem desanimado investidores internacionais. Em dezembro do ano passado, o Leilão de Reserva (2º LER 2016), para contratação de energia eólica e solar, foi cancelado poucos dias antes de sua realização causando grande frustração e desconforto no mercado. Este pleito representava uma grande sustentação para a cadeia, com previsão de injetar mais R$ 8 bilhões em investimentos e gerar pelo menos 15 mil empregos.

Sem novas contratações de energia, o setor não se sustenta. Desde a suspensão do leilão de dezembro, empresas do setor de energia eólica e solar congelaram seus planos de investimento. A chinesa BYD, por exemplo, aguarda um novo certame para investir entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões na expansão de sua fábrica de painéis solares em Campinas (SP).

No Ceará, onde toda uma cadeia produtiva de equipamentos e insumos está envolvida no atendimento aos projetos já em execução, a perspectiva é de que faltarão encomendas, causando o fechamento de várias empresas a partir do próximo ano. A Bahia, por sua vez, corre o risco de deixar de atrair até R$ 2 bilhões em investimentos, em cada um dos 164 projetos de energia eólica e solar, previstos para serem executados nos próximos anos. Cada novo parque gera, pelo menos, 3 mil empregos na fase de construção.

Não podemos esquecer que novas fronteiras eólicas estão surgindo no mundo todos os dias. E que há bons ventos também em outros países, aptos a atrair o interesse dos investidores internacionais.

A falta de uma agenda de governo para o setor tem repercussão internacional e compromete a atratividade do país. É preciso segurança e confiabilidade no planejamento do setor, bem como a definição de uma política de governo de longo prazo, para que todos os atores deste mercado consigam desenvolver os melhores projetos para o Brasil.

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