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07 de novembro de 2017 - 00h59

Palácio Tangará, um hotel para “cabeças coroadas”

Retrofit transforma antigo prédio construído na década de 1940 em hotel de alto luxo em meio a área de preservação de Mata Atlântica

O setor hoteleiro mais uma vez confirma sua vocação para identificar belos prédios, com elevado valor arquitetônico, esquecidos no tempo, para recuperá-los, em sofisticados projetos de retrofit, transformando-os em hotéis de alto padrão. Nesses empreendimentos, a elegancia, o glamour, a sofisticação e certo ar nostálgico são características marcantes.

Um dos exemplos recentes deste tipo de empreendimento é o Palácio Tangará. O prédio monumental, em estilo neoclássico, com cinco andares, área total de 27 mil m2 e ares de castelo europeu, está incrustrado em meio aos 138 mil m2 do Parque Burle Marx – área de preservação da Mata Atlântica, situada no elegante bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo. Construído originalmente, na década de 1940, ele deveria abrigar a sede da chácara do milionário Francisco “Baby” Matarazzo Pignatari, neto do conde Francesco Matarazzo, membros de uma das famílias mais nobres na antologia social brasileira. Mas o casamento do milionário acabou antes que a obra fosse concluída e a estrutura foi abandonada até o começou da década de 1960.

Baby Pignatari resolveu, então dar o imóvel de presente à sua terceira mulher, a princesa alemã Ira von Fürstenberg, que no entanto, se recusou a morar ali. A estrutura ficou abandonada mais uma vez, até 1990, quando passou por obras para ser transformada em um spa de alto luxo. Mais um empreendimento que não deu certo. O spa fechou e o imóvel foi novamente abandonado por 12 anos. Até que o grupo alemão Oetker Collection reconheceu naquele “oásis urbano” o potencial para de tornar em um sofisticado hotel de alto luxo para “cabeças coroadas”, pessoas de bom gosto e muito dinheiro no bolso. As diários no Hotel Palácio Tangará variam entre R$ 1.575,00 e R$ 38.240,00, conforme as características das acomodações e a época do ano.

Projeto milionário

cPara adaptar o prédio às exigências deste novo projeto foram necessários 41 meses de obras, incluindo cuidadoso trabalho de restauração, já que, embora o prédio não fosse tombado, optou-se pela preservação do seu estilo arquitetônico. Os donos do empreendimento não revelam os valores envolvidos no projeto, mas especialistas do setor calculam que nas obras e adaptações não foram gastos menos que R$ 100 milhões.

Para tocar as obras, a GTIS Partners Brasil, dona do empreendimento, contratou a construtora HTB. De acordo com os porta-vozes da construtora, a estrutura original encontrava-se em ótimo estado, porém foram feitas pequenas alterações estruturais devido à mudança de layout principalmente quanto à aberturas na construção, por onde passam tubulações de instalações hidrossanitárias, como água quente, fria, ventilação e esgoto (shafts). Todo o layout e interiores foram alterados para atender ao novo projeto para atender a bandeira hoteleira.

Um dos desafios do projeto foi a incorporação no prédio das modernas  instalações elétricas e hidráulicas, sistemas de proteção contra incêndio, entre outras. Os novos projetos de instalações da rede de utilidades e complementares foram criteriosamente estudados para atender às normas vigentes, com a adoção das melhores técnicas e práticas de execução.

A construtora destaca, ainda, como desafio de projeto, os serviços de corte de piso water jet da elipse central do lobby e corte do logo em granito e pastilha do fundo da piscina. Outro destaque foi o forro abobadado em gesso acartonado do lobby, executados a partir de um desenho simples de arquitetura e das pequenas informações da arquiteta sobre o ângulo de partida. Esse tinha que ser 30% e a altura 75 cm.

Segundo a HTB, foi constatado, em conjunto com o fornecedor de materiais,  que não havia sido executado nenhum forro semelhante. Portanto, foi necessário contratar um topógrafo especialista em 5D para o desenvolvimento do projeto.

Foi desenvolvida uma estrutura metálica com três estruturas principais e 11 secundárias, todas em metalon calandrado. Cada uma tinha uma curvatura. Como não foi possível a execução de um ângulo perfeito, a junção foi conseguida por meio de várias retas.

Essa estrutura foi chumbada em outra estrutura metálica, fixada nas vigas de concreto existente.

No período de pico das obras foram contratados 700 operário, que atuaram em diversas frentes de serviços, divididas em pavimentos dos apartamentos e áreas nobres (lobby, ballroom, cozinhas e salas de reuniões) e áreas técnicas.

Os prédios construídos atualmente devem atender a uma forte demanda por acessibilidade, coisa que era praticamente ignorada na época da construção do Tangará. Para adaptar o prédio às suas novas atividades hoteleiras, as características  estéticas e arquitetônicas originais tiveram que ser adaptadas, atendendo às normas de acessibilidade compatíveis com um hotel de alto padrão.

Hotel boutique

“O Tangará faz o estilo hotel boutique, como o Fasano e o Emiliano, que trazem a imagem de glamour e exclusividade”, afirma Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo.

Uma das opções do empreendimento é fomentar a adesão de “sócios” do negócio, nos moldes de um clube. Apenas 100 carteirinhas foram disponibilizadas em um primeiro momento, ao custo de R$ 18.000  pelo pacote anual. Elas dão direito a usar a academia, as piscinas externa e interna e a desfrutar o spa com preços menores.

Esse último também fica disponível a visitantes. Uma massagem de uma hora, por exemplo, custa R$ 580,00. Há ainda nove salas destinadas a eventos. O amplo salão de baile com capacidade para 530 convidados tem aluguel estimado em R$ 85.000,00. Antes mesmo da abertura, a área contabilizou quinze festas de casamento para os meses seguintes.

O hotel traz ainda algo inédito por aqui: um restaurante com menu assinado pelo francês Jean-Georges Vongerichten, cujo currículo ostenta três estrelas do Guia Michelin, publicação que é referência no universo gastronômico.

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