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07 de dezembro de 2010 - 06h47

Angra 3: obras vão gerar 9 mil empregos

As obras da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense,  estão em andamento, com cerca de 1,8 mil trabalhadores empenhados na concretagem das fundações, e já começam a mudar o cenário da região. Antecedendo a fase de concretagem, foram executadas diversas atividades como a aplicação do concreto de regularização da cava de fundações para as diversas edificações, a impermeabilização das lajes de fundação do prédio do reator e prédio auxiliar do reator e a instalação de armação (ferragens). Dentro de um ano deverão ser iniciadas as montagens da estrutura eletro-mecânica, chegando no quarto ano ao pico geral da obra. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos no final de 2015.

Quando entrar em operação, a usina terá capacidade para gerar 1.400 megawatts (MW) de energia. Mas até a conclusão das obras o número de postos de trabalho vai aumentar, podendo alcançar 9 mil funcionários. Para ser operada a unidade vai exigir o trabalho de cerca de 500 pessoas, a grande maioria de técnicos especializados, contratados através de concurso público. As principais categorias contratadas serão: operadores, mecânicos, eletricistas, instrumentistas, químicos, engenheiros e físicos.

Considerada uma obra de grande complexidade, Angra 3 deverá consumir 210 mil m3 de concreto, o equivalente a três Maracanãs, usará 35 mil toneladas de aço, terá 3 mil km de cabos elétricos e abrangerá 17 mil toneladas de equipamentos. As obras civis foram licitadas e adjudicadas à construtora Andrade Gutierrez através de contrato assinado em 16 de junho de 1983. A construtora contratada foi mobilizada em junho de 1984, dando-se início às obras. Os serviços já executados consistiram em mobilização, instalação do contratado no canteiro de obras e intervenções no local das edificações, com cortes de rocha e abertura de cavas para blocos de fundação. Em abril de 1986 as obras foram paralisadas, tendo ocorrido a desmobilização da contratada.

Mas o contrato continuou em vigor, aguardando decisão governamental sobre a retomada das obras. O valor pago anualmente à Andrade Gutierrez para a manutenção de suas instalações, preservação das instalações do canteiro de obras e pelo uso de casas de sua propriedade pela Eletronuclear era da ordem de R$ 5 milhões. Recentemente o documento foi revisto, adequando-se às condições atuais de mercado, aos quantitativos reais advindos da experiência com Angra 2 e ao estabelecimento do escopo que atenda a todas as necessidades das obras. De modo a subsidiar as negociações, foram elaborados e estabelecidos cronogramas e historiogramas para as principais atividades de obras civis de Angra 3, considerando 66 meses para a conclusão do empreendimento (a partir do início da concretagem da laje de fundação do prédio do reator), tendo sido identificados todos os serviços necessários com os respectivos quantitativos. Tanto a Eletronuclear como a construtora Andrade Gutierrez elaboraram, para todos os serviços, composições de preços unitários. O TCU analisou esse aditivo e liberou a continuação das obras para a conclusão da Usina.

Custos e contratos para as obras
Para a execução das obras a Andrade Gutierrez apresentou um orçamento, após algumas rodadas de negociações: R$ 1,369 bilhão. Considerando a redução estabelecida pelo TCU de R$ 120,1 milhões, o valor final do contrato ficou em R$ 1,248 bilhão. A Eletronuclear considerou interessante manter o contrato com a construtora, uma vez que o mesmo continuou em vigor desde a paralisação das obras e, no âmbito legal, o TCU também deu parecer favorável à possibilidade jurídica da manutenção do mesmo.

Outros fornecedores também tiveram seus contratos revistos. Entre os principais fornecedores nesta situação estão a Bardella S/A – Indústrias Mecânicas, contratada para o fornecimento de equipamentos de movimentação de carga e hidromecânicos; a Confab Industrial S/A, para o fornecimento de esfera de contenção metálica, tanques de processo, eclusas, comportas e revestimento da piscina, colunas de degaseificação, suportes dos componentes pesados, trocadores de calor e vasos de pressão; a Empresa Brasileira de Solda Elétrica S/A – EBSE, cujo contrato previa a instalação de tubos de aço-carbono de grandes diâmetros; a Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A (Nuclep), comprometida com o fornecimento de equipamentos mecânicos de grande porte como os condensadores e acumuladores; e a empresa franco-alemã Areva NP, contratada inicialmente para o fornecimento de equipamentos importados diversos (mecânicos, elétricos, instrumentação e controle) e serviços de engenharia.

Em agosto de 2009, a Eletronuclear realizou uma audiência pública para apresentar ao mercado os principais aspectos associados aos processos licitatórios para fornecimento de serviços de engenharia, montagem e gerenciamento da obra. O objetivo era licitar os serviços de engenharia civil e eletromecânica, com valores estimados (base em maio de 2009) de R$ 21 milhões e R$ 283 milhões, respectivamente. Já os serviços de montagem eletromecânica têm um valor total calculado (base em maio de 2009) em R$ 1,261 bilhão. E os serviços de suporte ao gerenciamento se referem a atividades da própria Eletronuclear como: apoio à fiscalização e controle dos serviços de engenharia, diligenciamento dos suprimentos, suporte ao planejamento e à fiscalização das obras civis e da montagem. Esses serviços têm valor estimado (base em maio de 2009) de R$ 223 milhões. O edital para os serviços de montagem eletromecânica está em fase final de elaboração.

A expectativa é de que até o final do ano a Eletronuclear deva assinar, com fornecedores nacionais, cerca de R$ 2 bilhões em contratos para a construção da usina. Já foram publicados diversos editais para serviços de engenharia eletromecânica e civil e para o suporte ao gerenciamento e à implantação, no valor de R$ 550 milhões. Estão em elaboração outros editais de serviços e, no final de outubro, deverá ser publicado o edital da montagem eletromecânica, no valor de R$ 1,4 bilhão.

A construção civil de Angra 3 e a montagem eletromecânica serão executadas com participação preponderante de técnicos e profissionais brasileiros. A maior participação de estrangeiros se dará somente na fase de comissionamento de equipamentos e sistemas da usina, ou seja, na fase de testes, cabendo à Areva a complementação do fornecimento de parte dos equipamentos, não disponível no mercado nacional, e o suporte técnico de alguns serviços específicos de supervisão de montagem e de engenharia.

À prova de terremotos e tsunamis
A estrutura de uma usina nuclear tem que ser 100% confiável e à prova de falhas, além de ser projetada para resistir a terremotos superiores a 8 graus na escala Richter e até tsunamis. A espessura média de suas paredes é de 2,8 m, chegando a 3,4 m, a fim de reduzir ao máximo o perigo de um vazamento nuclear em caso de acidente.

Pela forma como a estrutura foi dimensionada, se acontecesse um terremoto de grande poder destrutivo na região, por exemplo, toda a área do Rio de Janeiro seria derrubada e a única coisa que ficaria em pé seria a usina. Como está na beira do mar, ela também é projetada para resistir a uma onda maior que 8 metros, que provocaria um grande desastre na região costeira, mas não afetaria o seu funcionamento. O que se espera é que nada disso precise ser comprovado.

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Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral - Apoio editorial: Revista Grandes Construções. Reprodução apenas com permissão dos editores e com o devido crédito.

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