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01 de novembro de 2017 - 01h01

Esperando o trem

Editorial Folha de São Paulo

Fonte: Folha de São Paulo

Não é novidade que sucessivas administrações estaduais em São Paulo têm deixado a desejar na área de transportes sobre trilhos.

Houve, sim, melhorias nos últimos anos, quando se procurou dotar a região metropolitana da capital de uma rede mais racional e organizada de conexões entre linhas do Metrô e da CPTM. Entretanto a população ainda se vê frustrada com atrasos exasperantes no cronograma de obras e falhas intermitentes nos serviços.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que já acumula quase 12 anos de comando no Palácio dos Bandeirantes, não tem como eximir-se de responsabilidades.

Projetos anunciados em campanhas eleitorais não foram entregues no prazo previsto; outros nem sequer entraram em operação —para não mencionar as suspeitas de irregularidade que cercam alguns contratos.

Agora, quando mais uma vez pretende se apresentar como candidato à Presidência da República, lançando-se para o pleito do ano que vem, Alckmin continua a enfrentar dificuldades para sanar a imagem de ineficiência de seu governo nesse setor.

Verifica-se, com efeito, um aumento significativo de falhas no metrô. Das três linhas mais modernas em operação, duas apresentam transtornos crescentes, a 5-lilás (Capão Redondo-Brooklin), administrada pelo governo estadual, e 4-amarela (Butantã-Luz), concedida à iniciativa privada.

Na primeira, a mais problemática, 21 panes foram registradas de janeiro a setembro deste ano, em contraste com apenas 3 em igual período em 2016. Já na linha 4, o número passou de 8 para 15, na mesma base de comparação. Consideradas as seis linhas, nunca se registraram tantos casos na série estatística iniciada em 2010.

Esta Folha obteve os dados por meio da Lei de Acesso à Informação —sem isso, tais mazelas possivelmente permaneceriam ocultas, embora percebidas por usuários no dia a dia.

O Metrô e a ViaQuatro, concessionária da linha 4-amarela, creditam a disparada dos "incidentes notáveis" (como se diz no jargão interno) a novos sistemas de controle que estão em fase de implantação. Os efeitos negativos já estariam previstos e serão superados.

Ainda que tais explicações sejam aceitáveis —e que as restrições orçamentárias tenham se agravado nos últimos anos—, é incontornável o diagnóstico de que São Paulo já poderia contar com uma rede mais ampla e eficiente de transporte metroviário, não fossem as repetidas deficiências de gestão.

editoriais@grupofolha.com.br

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