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16 de novembro de 2017 - 15h29

Construção entra em novo ciclo e ganhará outros protagonistas

Perspectivas. Lacuna deixada por grandes empreiteiras vira possibilidade de crescimento para incorporadoras de médio porte; capital de grupos estrangeiros e fusões vão facilitar o processo

Fonte: DCI

O Brasil deve presenciar nos próximos 10 anos o surgimento de novos protagonistas no mercado de construção. A expectativa é que o vácuo deixado pelas empreiteiras envolvidas na Lava Jato, e o próximo ciclo de investimento em infraestrutura, criem um movimento de consolidação de empresas de médio porte que resulte em um novo capitulo da história do setor.

"As grandes atuavam em outros setores também, mas não era o foco do negócio. Sempre miraram muito em infraestrutura", diz o líder de Transações da Grant Thornton, Paulo Funchal. Para que as médias consigam aproveitar estas oportunidades, no entanto, é necessário que ganhem musculatura e consigam ter condições financeiras e estruturais para fazer frente aos desembolsos necessários para obras de grande magnitude, como as incluídas no Programa de Parcerias para Investimentos (PPI) e nos projetos de Parceria público-privada (PPPs) municipais e estaduais.

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Por isso, o executivo acredita que uma possível tendência é que o setor passe por um processo de consolidação provocado pela junção de empresas pequenas e médias do mesmo segmento ou de nichos complementares. Ou até pela aquisição das empresas estrangeiras de engenharia que devem buscar parceiros locais para conseguir entrar no País ou até ampliar as operações existentes para executar as obras que o Brasil receberá nos próximos anos.

"Isso pode ser uma oportunidade para as médias, mas ela deve estar preparada. Precisa estar saudável, ter governança e ter um porte interessante", destaca. Entre as empresas que devem ter uma maior participação neste movimento estão as de médio porte com faturamento anual entre R$ 60 milhões e R$ 300 milhões.

A perspectiva é que as oportunidades de grande porte comecem a aparecer no segundo semestre de 2018, quando os consórcios ganhadores de licitações feitas em 2017 comecem a contratar empresas de engenharia para realizar os projetos.

Para ele, entre os principais players estrangeiros estão os chineses - que tem exemplos como o da CCCC com a Concremat -, além dos países ibéricos. Hoje no Brasil, grandes construtoras portuguesas já atuam no País e, para o especialista, faria sentido se alguma decidisse aumentar a presença por aqui, uma vez que já possuem conhecimento de mercado e o vácuo deixado pelas grandes está posto. "Algumas empresas, devido à retração econômica, ficaram problemas financeiros, mas têm capacidade operacional. Há oportunidades para estrangeiras comprarem bons ativos."

Funchal ressalta ainda que a participação das estrangeiras deve ser observado tanto na execução, quanto na participação das concessões, onde tendem a formar consórcios com empresas brasileiras.

Desafio

Já na análise do vice-presidente de infraestrutura, PPPs e concessões do SindusCon-SP, Luiz Antônio Messias, uma questão que deve ser revista para que a oportunidade não fique apenas entre as 'médias para grande' porte do setor, é o formato das licitações. Uma das flexibilizações citadas por ele é a divisão dos projetos em um maior número de lotes, onde isso é possível, como é o caso dos projetos de rodovias e de iluminação pública. "Uma média não consegue fazer um projeto de iluminação de uma metrópole inteira, mas poderá pegar trechos. O mesmo em rodovia, em que dividir o lote abre o leque para concorrência", diz.

Além disso, ele cita outros fatores que poderiam ajudar, como a permissão de consórcios em todas as PPPs, a utilização do projeto como garantia e a diminuição da insegurança jurídica, que dificulta até na obtenção de financiamento.

Resolver estas questões não ajudaria apenas a participação das médias em grandes obras de infraestrutura, como também possibilitaria que pequenas participassem desses projetos - mesmo que de menor porte. Isso tanto para em obras públicas, com financiamento do governo ou nas parcerias público-privadas. "Se a exigência do capital social for proporcional também ajudaria, porque geralmente o que separa a média da grande nas licitações é o capital social, porque ambas possuem capacidade técnica", complementa o diretor executivo da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Construção Civil do Estado de São Paulo (APeMEC), José Elias Abul Hiss.

Segundo Hiss, para que as PPPs funcionem é importante também que os próximos projetos tenham um fundo garantidor para o setor. "Se o governo tiver participação na obra é importante que haja garantia, porque se não a conta não fecha e isso pode quebrar as pernas da empresa que estiver participando. Alguém tem que garantir mesmo que seja um banco."

Sinal de alerta

Se por um lado a entrada de estrangeiras no mercado deve trazer uma maior capacidade para empresas de médio para grande porte, por outro, José Elias Abul Hiss, da APeMEC, destaca que é necessário introduzir mecanismos de proteção para empresas de engenharia e arquitetura locais. "Muitas [estrangeiras] podem trazer equipes de engenharia e arquitetura de fora", disse ele, lembrando que já houve discussões para facilitar a entrada de profissionais do exterior no Brasil. Segundo ele, o capital internacional é uma oportunidade, mas é importante que existam mecanismos que garantam a participação de pequenas e médias no processo.

Outra questão citada por ele, são as condições de trabalho. "Nem sempre as estrangeiras têm boas condições. no Brasil levamos muito a sério a legislação trabalhista e de segurança e saúde do trabalho ", opina.

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