Notícias > Mercado
07 de dezembro de 2017 - 15h29

Construção enfrenta terceiro ano de queda e está 20% menor que em 2014

A perspectiva é que a retomada do setor tenha início em 2018 quando o mercado poderá crescer 2%. O desempenho favorável, no entanto, não será o suficiente para frear as demissões na área

Fonte: DCI

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deve encerrar o ano com queda acumulada de 6,4%, totalizando uma retração de 20% nos últimos três anos. Para 2018, as projeções já indicam uma melhora, alta de 2%, caso o cenário de recuperação econômica se mantenha.

A variação positiva para o ano que vem, no entanto, ainda depende de alguns condicionantes, como a retomada de investimentos públicos em infraestrutura, o início efetivo das obras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que já foram contratadas e a capacidade de financiamento da Caixa Econômica Federal.

Hoje, uma das discussões que tem preocupado o mercado é a adequação da Caixa Econômica Federal ao índice de Basileia, que pode exigir do banco um maior conservadorismo na concessão de crédito. Mesmo sabendo do risco, a coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, afirma que dificilmente existirá uma suspensão de crédito em pleno ano eleitoral. "Temos consciência da gravidade da questão, porque a Caixa representa 70% do recurso do mercado imobiliário [...] mas já existem soluções que estão sendo colocadas para que o pior não aconteça."

"Em contato com a Caixa não sentimos uma preocupação deles com a falta de recursos", destaca o presidente do Sinduscon-SP, José Romeu Ferraz Neto. Mesmo assim, ele admite que existem alguns casos de adiamento de lançamentos.

A estimativa de crescimento da entidade para o PIB setorial de 2018, não leva em consideração a possibilidade de falta de recursos para o segmento imobiliário. "Esse cenário base não comporta isso. Trabalhamos com a hipótese de que isso vai ser resolvido", coloca Ana Maria da FGV.

De acordo com Ana Maria, se o PIB da construção tivesse atingido o crescimento de 0,5%, previsto no final de 2016 para este ano, o PIB nacional teria o potencial de crescer 1,2% em 2017. "O setor segurou o PIB do País", disse.

Emprego

De acordo com a economista, mesmo com o crescimento previsto para 2018, a projeção ainda é insuficiente para retomar as contratações no setor e acabar com a onda de demissões. "Ainda devemos ver um saldo negativo no acumulado do próximo ano, mas deve sair da taxa de dois dígitos", afirma Ana Castelo.

Segundo levantamento divulgado ontem (30) pelo Sinduscon-SP, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), a projeção é que o setor encerre com queda de 11% no volume de empregos em 2017, na comparação com o ano anterior. Entre dezembro de 2014 e 2017, terão sido fechados 1,1 milhão de postos de trabalho com carteira assinada.

Mesmo com números levemente melhores nos meses de julho, agosto e setembro, o Sinduscon-SP assinalou que em outubro, o nível de emprego voltou a apresentar queda (-0,18%), deixando o estoque com 2,456 milhões de postos no período. Este é praticamente o mesmo nível de emprego que o mercado possuía em agosto de 2009.

Outras questões citadas por eles como desfavoráveis para o cenário de 2018 é o desenrolar dos problemas macroeconômicos. "Infelizmente o quadro político ganha ainda mais relevância", coloca a economista da FGV lembrando as eleições, que deverão ter influência no mercado, sobretudo a partir do segundo semestre.

De acordo com ela, mesmo que alguns projetos, como os leilões de infraestrutura e algumas obras do Minha Casa, Minha Vida já estejam "engatilhados", o cenário político terá o poder de melhorar ou piorar as condições para a construção civil. "Nas projeções trabalhamos com o cenário básico", explica a coordenadora.

Segundo os especialistas, entre os principais pontos que impactaram o resultado do setor em 2017 estão o excesso de oferta do mercado imobiliário, as contratações do MCMV que ficaram aquém da meta, os efeitos da Lava Jato que comprometeram o desempenho das empresas, a própria crise fiscal, o desemprego elevado, as restrições ao crédito, a melhora da confiança empresarial que não se refletiu nas decisões de investimento e o aumento elevado de distratos.

Neste ano, o orçamento para investimentos em infraestrutura, área importante para a construção, chegou a representar algo em torno 1,4% do PIB. Em 2016, era de 1,97%. "Sendo que é necessário de 3% do PIB para manter o que temos. Para ser suficiente precisaríamos de 5%", diz Ferraz.

Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner

Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral - Apoio editorial: Revista Grandes Construções. Reprodução apenas com permissão dos editores e com o devido crédito.

Segurança e Privacidade