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01 de fevereiro de 2018 - 19h26

Atividade da construção caiu menos e setor vê futuro passar pelo Congresso

Queda mais branda dos negócios em 2017 sinaliza que retomada está perto, mas questões como novo marco do saneamento, regulamentação dos distratos e celeridade para licenças são cruciais

Fonte: DCI

Diante de uma queda menor na atividade em 2017, na comparação com a verificada em 2016, os construtores brasileiros chegam mais perto de retomar a confiança no setor. A atenção deles, contudo, se volta a Brasília, de onde podem sair medidas decisivas para a efetiva melhora dos negócios.

Por meio do grupo Coalizão Pela Construção oito entidades estão em contato, desde dezembro de 2017, com o presidente Michel Temer, em um movimento promete elencar medidas que destravem os investimentos represados das construtoras e dor poder público.

Liderado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a expectativa é mandar, até o fim de fevereiro, uma lista de medidas para melhorar o ambiente de negócios. Segundo o presidente da Câmara, José Carlos Martins, medidas que envolvem regulamentação dos distratos, novo marco do saneamento básico, agilidade para licenças ambientais são alguns dos temas que podem resultar na retomada da atividade em todo o País.

“A indústria da construção está à beira de um colapso. Se nada for feito o setor, que é um dos grandes empregadores, pode continuar encolhendo e derrubando o PIB brasileiro”, alerta.

De acordo com ele, as propostas que serão enviadas ao presidente da república não envolvem destinação de recursos nem incentivo por meio de desonerações. “Não solicitamos recursos porque sabemos que o governo federal não tem. A ideia é apresentar uma pauta para destravar o país e criar condições para que o investimento volte”, resumiu.

Saneamento

Entre os assuntos que podem reaquecer toda a cadeia da construção, que envolve desde a indústria de aço até o varejo de material de construção, está o saneamento básico.

Segundo um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), cerca de 80% dos municípios brasileiros possuem baixa ou nenhuma condição de tratar os resíduos urbanos de forma correta e individual.

O que é uma triste realidade para o País, no entanto, pode ser uma grande oportunidade para construção, já que boa parte desses municípios precisarão realizar obras para adequação. A questão central para isso, no entanto, passa também pelo estímulo público. Segundo o presidente da Abetre, Carlos Fernandes, as soluções para os lixões só é viável financeiramente para cidades com mais de 300 mil habitantes, o que representa apenas 20% das cidades brasileiras. “Por isso, estados e União devem induzir, via incentivos, a adesão dos municípios em programas regionais de gestão de resíduos”, explica Fernandes.

Ele cita ainda uma proposta que prevê que os estados e a União assumam parte da competência na gestão de resíduos dos municípios onde não há viabilidade financeira para manter a operação de forma individualizada, sobretudo as cidades de pequeno porte. “Um aterro que recebe até 300 toneladas de resíduos ao dia, torna a operação praticamente inviável do ponto de vista econômico, já que o custo seria proibitivo”, aponta Fernandes.

Negócios

Ao longo do ano passado a atividade na indústria da construção seguiu encolhendo, mas em menor nível do que o apresentado no ano anterior, o que levou os empresários a esperarem resultados melhores em 2018.

O indicador de atividade medido pela Sondagem da Indústria da Construção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ficou em 44,9 pontos em dezembro, fechando o ano abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que indica retração. O uso da capacidade instalada caiu em dezembro para 58%, ante 59% no mês anterior. O resultado, porém, foi dois pontos percentuais acima do registrado no último mês de 2016.

O ano de 2017 também terminou com o número de empregados em queda no setor da construção, com o indicador passando de 44,9 pontos, em novembro, para 42 pontos em dezembro. O resultado, porém, é melhor do que a retração no emprego registrada no ano anterior, quando o indicador caiu a 35,5 pontos. Entre os gargalos, o pior índice ficou na satisfação com o crédito (30,7).

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