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10 de setembro de 2010 - 01h20

Mendes Júnior sairá da SPE de Belo Monte

Construtora teve que deixar sociedade por ter disputas judiciais com o BB, que vai financiar a usina

Por: Josette Goulart

Fonte: Valor Online

A construtora Mendes Júnior está definitivamente fora do empreendimento Belo Monte. A empresa está deixando a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Norte Energia, onde detém 1,25% de participação, e também não fará parte do consórcio construtor da usina. O motivo: a disputa judicial que trava ainda hoje com o Banco do Brasil (BB) para concretizar um acerto de contas de financiamentos e cessão de crédito derivada das atividades da empresa no Iraque na década de 80. O banco será financiador da obra junto com o BNDES e seu estatuto não permite a concessão de empréstimos para empresas com quem tenha embates judiciais.

O vice-presidente da Mendes Júnior, Sérgio Mendes, conta que há algumas semanas, antes mesmo de se definir a participação que cada construtora teria na obra, os diretores da Eletrobras e Eletronorte, Valter Cardeal e Adhemar Palocci, respectivamente, chamaram os executivos da empresa para informar o conflito em função do financiamento do BB.

"Por termos ajudado a viabilizar a concorrência no leilão, acreditávamos que teríamos parte relevante na obra", disse Mendes. "Mas vimos que nossa permanência inviabilizaria todo o empreendimento, porque o empréstimo do Banco do Brasil é significativo, e por isso decidimos sair da sociedade e desistir da obra."

A Eletrobras não quis fazer qualquer comentário sobre o assunto. Outros sócios do empreendimento confirmam, entretanto, que a saída da Mendes Júnior é por causa do financiamento do BB. Alguns participantes do consórcio construtor informam inclusive que a participação da Mendes seria de 3% na obra, além do 1,25% das cotas da SPE Norte Energia que já estava definida há cerca de dois meses. Sérgio Mendes e Victório Duque Semionato, diretor-executivo de engenharia da empresa, garantem, entretanto, que sequer foi negociado um percentual na obra para a Mendes Júnior.

O grupo Mendes Júnior já foi um dos maiores do país e na parte de construção tem em seu portfólio grandes empreendimentos, como a usina de Itaipu. Há sete anos, entretanto, não participa de nenhuma obra de hidrelétrica e Belo Monte marcaria a reentrada no setor. E o retorno se daria a pedido da própria Eletrobras, segundo Mendes, que chamou a empresa em fevereiro deste ano para estudar o projeto e apresentar proposta alternativa às grandes construtoras, que pressionavam fortemente em termo de preços.

Tudo ia bem. O exército de Brancaleone - como chegou a brincar entre os parceiros um dos executivos do consórcio, em referência à união das pequenas empreiteiras - venceu o leilão. Mas nas palavras de Mendes, o apoio dado ao governo brasileiro na década de 80 e que fez a empresa minguar financeiramente continua lhe prejudicando. A história contada, e replicada até em livro pela família Mendes, é a de que o Brasil daquela década era extremamente dependente do petróleo do Iraque e, apesar de a guerra com Irã e mais tarde a Guerra do Golfo, o governo iraquiano queria que a Mendes Junior finalizasse as obras e usou de seu poder de grande fornecedor de petróleo ao país.

Depois da guerra do Irã e Iraque, a empresa queria deixar o país e ficou sem receber do governo iraquiano cerca de US$ 200 milhões. Em um acerto com o governo brasileiro, a empresa voltou para finalizar as obras. Em contrapartida, o governo, por meio do Banco do Brasil, passaria a ser credor do Iraque e financiaria a Mendes Junior. A Mendes fez entretanto um resseguro de guerra com o IRB, que foi acionado quando o Iraque deixou de pagar a conta.

Na década de 90, chegou a se propor um acordo com acerto de contas entre BB e a Mendes, mas o banco decidiu, mais tarde, executar a dívida contra a empresa. O embate judicial dura mais de uma década e hoje está sendo discutido pela Justiça estadual. Em 2003, a empresa entrou com um ação por perdas e danos contra o BB Leasing, em Nova York, e pede US$ 3 bilhões. A ação tramita na Justiça americana, e segundo informou o BB, o banco teve decisão favorável em primeira instância e está agora em fase de apelação. O BB também entrou com uma ação contra o IRB.

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