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21 de maio de 2018
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Artigo

Os recursos ambientais e os grandes empreendimentos

Por Tairi Tonon Gomes

Preservação da fauna, bem como de toda a biodiversidade, tem sido preocupação presente em muitos grandes empreendimentos

Uma das discussões mais evidentes na sociedade é sobre como alcançar o desenvolvimento sustentável, pois está sendo verificado que, se o modelo atual de consumo e produção não for alterado, haverá um colapso estrutural na economia. Assim, dentre as diversas questões do desenvolvimento sustentável que está em pauta, a questão ambiental está sendo uma das mais evidentes nas discussões e na influência sobre a tomada de decisões.

Com a mudança da mentalidade nos agentes influenciadores da sociedade, a questão da preservação e conservação ambiental vem ganhando enorme força nos discursos políticos e de postura empresarial. Sensibilizadas com a questão ambiental e sinalizando o início de um processo de transição ideológica, as instituições empresariais estão inserindo os princípios ecológicos no modus operandi da produção, marcando o início de uma nova fase, baseada nos critérios da sustentabilidade ambiental.

O componente ambiental chegou para ficar e a empresa moderna, indistintamente de seu porte, estrutura ou setor, tem de se adaptar, aplicando os princípios de sustentabilidade para não perder espaço na competitividade empresarial. Caso contrário, a saída do mercado ou a própria falência parece ser o destino mais provável para quem ficar de fora do processo.

Desponta também nesse contexto o consumidor verde. Esse novo modelo de consumidor é aquele que guiará sua escolha de compra baseado na questão qualidade/preço e também na questão ambiental. Ou seja, a determinação da escolha de um produto agora vai além da relação qualidade e preço, pois esse precisa ser ambientalmente correto, isto é, não prejudicial ao ambiente em nenhuma etapa do seu ciclo de vida.

E é nesse cenário de alteração no modo de gestão empresarial e no consumo verde que entra a questão da preservação da fauna nos grandes empreendimentos. Essa riqueza de biodiversidade que o Brasil possui é um elemento que deve enriquecer os grandes empreendimentos e não deve ser visto como um


Preservação da fauna, bem como de toda a biodiversidade, tem sido preocupação presente em muitos grandes empreendimentos

Uma das discussões mais evidentes na sociedade é sobre como alcançar o desenvolvimento sustentável, pois está sendo verificado que, se o modelo atual de consumo e produção não for alterado, haverá um colapso estrutural na economia. Assim, dentre as diversas questões do desenvolvimento sustentável que está em pauta, a questão ambiental está sendo uma das mais evidentes nas discussões e na influência sobre a tomada de decisões.

As ações de redução de impactos sobre a fauna devem se estender durante toda a operação do empreendimento

Com a mudança da mentalidade nos agentes influenciadores da sociedade, a questão da preservação e conservação ambiental vem ganhando enorme força nos discursos políticos e de postura empresarial. Sensibilizadas com a questão ambiental e sinalizando o início de um processo de transição ideológica, as instituições empresariais estão inserindo os princípios ecológicos no modus operandi da produção, marcando o início de uma nova fase, baseada nos critérios da sustentabilidade ambiental.

O componente ambiental chegou para ficar e a empresa moderna, indistintamente de seu porte, estrutura ou setor, tem de se adaptar, aplicando os princípios de sustentabilidade para não perder espaço na competitividade empresarial. Caso contrário, a saída do mercado ou a própria falência parece ser o destino mais provável para quem ficar de fora do processo.

Desponta também nesse contexto o consumidor verde. Esse novo modelo de consumidor é aquele que guiará sua escolha de compra baseado na questão qualidade/preço e também na questão ambiental. Ou seja, a determinação da escolha de um produto agora vai além da relação qualidade e preço, pois esse precisa ser ambientalmente correto, isto é, não prejudicial ao ambiente em nenhuma etapa do seu ciclo de vida.

E é nesse cenário de alteração no modo de gestão empresarial e no consumo verde que entra a questão da preservação da fauna nos grandes empreendimentos. Essa riqueza de biodiversidade que o Brasil possui é um elemento que deve enriquecer os grandes empreendimentos e não deve ser visto como um dificultador durante sua implantação.

Grande parte dos empreendimentos enxerga a questão de vegetação e fauna como um empecilho à viabilidade econômica. Assim, parte dos empresários acredita que a preservação ambiental representa uma redução do ganho econômico de um determinado projeto. Mas o que esses empresários precisam entender é que com essa mudança na sociedade e na percepção do consumidor, quanto maior for a ação ambiental da empresa maior será a agregação de valor. Junta-se a isso a maior liquidez do ativo, ou seja, quanto mais ações ambientais o projeto tiver, mais rápida será a venda (diversos exemplos de produtos são vistos em vários segmentos).

Essas ações ambientais começam desde a concepção dos empreendimentos. Quanto melhor for projetado o empreendimento, haverá melhores alocações de recursos e aproveitamento de espaço. O que o projeto deve ter em mente é que agora o mercado não exige apenas a ocupação do espaço, mais que essa ocupação tenha qualidade, tanto para os consumidores quanto para o meio ambiente.

Além de conceber o projeto com a visão sustentável, a implantação também precisa se adequar a esses parâmetros. Por exemplo, ao realizar a supressão de vegetação, o empreendimento deve realizar uma série de ações para que o impacto seja minimizado. Realizar o afugentamento da fauna de maneira técnica é uma ação que, além de ajudar os animais (ajuda na preservação e conservação), auxilia também as frentes de trabalho (animais peçonhentos, abelhas e vespas são exemplos da fauna que podem atrasar o avanço das frentes de trabalho).

Tairi Tonon Gomes é economista e diretor da Pró-Ambiente Assessoria Ambiental, que atua na área de consultoria ambiental para empresas privadas e órgãos públicos.

As ações perante a fauna também devem se estender durante toda a operação do empreendimento. Se concepção ou a implantação tiver ocorrido de forma equivocada, a fauna pode vir a causar prejuízos aos usuários do empreendimento. Um exemplo disso são rodovias, que por cortarem os fragmentos de vegetação e não possuírem passagem de fauna, acabam produzindo alto número de acidentes. Outro exemplo são loteamentos com áreas verdes que acabam atraindo uma fauna indesejada aos moradores (gambá, sagui, cobras, sapos, etc).

Esse mau planejamento e execução dos empreendimentos, em vez de alinhar a riqueza faunística que temos para agregar valor acaba trazendo prejuízo, tanto para os empresários quanto para os usuários. A proposta que os grandes empreendimentos devem ter é utilizar os recursos ambientais a favor do empreendimento e da comunidade em geral.

Quando é projetado um corredor de fauna (área verde que possibilite a conexão entre fragmentos vegetais) e realizado um plantio adequado de espécies (para não ocorrer atração da fauna indesejada), além de trazer beleza paisagística, o projeto resulta em valor econômico, pois o consumidor percebe essas ações positivamente.

Assim, as empresas e instituições que possuem investimentos em grandes empreendimentos devem entender que o mercado está em mudança. Essas empresas devem incorporar a todas as etapas do seu projeto as questões ambientais, não apenas de gestão empresarial, mas também de preservação da fauna e flora. Ao olhar e incorporar todas as riquezas ambientais, o projeto ganha visibilidade e assim passará a ter um lugar de destaque no mercado altamente competitivo e dinâmico.

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