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18 de março de 2021
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Mineradora Anglo American vai investir até US$ 330 milhões no Brasil este ano

Após enfrentar uma série de reveses, o Minas-Rio, projeto da empresa, teve em 2020 seu melhor desempenho financeiro e prevê alta de 4% na produção este ano, para 25 milhões de toneladas
Fonte: O Estado de S.Paulo

A mineradora Anglo American vai investir entre US$ 300 milhões e US$ 330 milhões no Brasil em 2021, orçamento 60% superior ao do ano passado.

Três quartos da cifra serão destinados à segurança, manutenção e aumento de produtividade do sistema de minério de ferro Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG), principal projeto da empresa no país.

Após enfrentar uma série de reveses, o Minas-Rio teve em 2020 seu melhor desempenho financeiro e prevê alta de 4% na produção este ano, para 25 milhões de toneladas.

Impulsionado por uma combinação de aumento do preço médio do minério de ferro, maiores volumes de produção, desvalorização do real e custos menores, o Minas-Rio teve um incremento de 60% na geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que chegou a US$ 1,86 bilhão em 2020.

O montante representa cerca de 20% do Ebitda global da Anglo, que destaca no balanço a importância da operação brasileira na redução dos impactos da pandemia de covid-19 em seus negócios.

"Foi o melhor resultado da história do projeto, que começou a produzir em 2014", disse o presidente da Angl...


A mineradora Anglo American vai investir entre US$ 300 milhões e US$ 330 milhões no Brasil em 2021, orçamento 60% superior ao do ano passado.

Três quartos da cifra serão destinados à segurança, manutenção e aumento de produtividade do sistema de minério de ferro Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG), principal projeto da empresa no país.

Após enfrentar uma série de reveses, o Minas-Rio teve em 2020 seu melhor desempenho financeiro e prevê alta de 4% na produção este ano, para 25 milhões de toneladas.

Impulsionado por uma combinação de aumento do preço médio do minério de ferro, maiores volumes de produção, desvalorização do real e custos menores, o Minas-Rio teve um incremento de 60% na geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que chegou a US$ 1,86 bilhão em 2020.

O montante representa cerca de 20% do Ebitda global da Anglo, que destaca no balanço a importância da operação brasileira na redução dos impactos da pandemia de covid-19 em seus negócios.

"Foi o melhor resultado da história do projeto, que começou a produzir em 2014", disse o presidente da Anglo American no Brasil, Wilfred Bruijn.

Adquirido da MMX em 2008, o Minas-Rio custou US$ 14 bilhões à Anglo American‎ – equivalente ao maior investimento da história da Vale, o S11D‎ –, entre o total pago a Eike Batista e a implantação do projeto.

O executivo admite que ainda há um caminho a trilhar até atingir o chamado "break even" (equilíbrio entre despesas e receitas) do projeto, o que dependerá da curva de preços.

Ao analisar o cenário para o minério em 2021, Bruijn vê uma demanda ainda forte e poucos novos projetos entrando no mercado. Isso deve sustentar preços robustos, ao menos no primeiro semestre.

Ele calcula uma faixa média de US$ 140 a US$ 170 por tonelada no ano. O minério da Anglo recebe ainda um prêmio pelo alto teor de ferro (67%).

O especialista José Carlos Martins, da Neelix Consulting, destaca a alta da margem do projeto de 50% para 62% em 2020 e avalia que, mantido o nível de preço do primeiro trimestre, 2021 pode ser ainda melhor.

"Considerando que o Minas-Rio tem um produto de alta qualidade e alinhado com as tendências de menor emissão de carbono na siderurgia mundial, as perspectivas de mercado e de preço são excelentes", diz o ex-diretor executivo de Ferrosos da Vale.

O desempenho positivo em 2020 é um sinal importante para o Minas-Rio, que enfrenta obstáculos desde o início. A multinacional teve dificuldades no licenciamento ambiental e na negociação com donos de terras no acesso ao mineroduto de 529 km, o que levou a atrasos no cronograma e baixas contábeis. Em 2018, vazamentos no duto paralisaram as operações.

A empresa enfrenta ainda questões com comunidades próximas à barragem do projeto e afirma estar investindo R$ 650 milhões para realocar 350 famílias.

Em meio aos percalços, a Anglo busca atingir a capacidade plena de produção de 26,5 milhões de toneladas anuais de minério de ferro no Minas-Rio.

A marca era inicialmente prevista para 2016, mas o atual CEO diz que a Anglo dará prioridade à segurança operacional. Em outubro, foi concluído o alteamento da barragem do sistema, cuja licença de operação é esperada para abril.

A projeção de produção do projeto no ano é de 24 milhões a 26 milhões de toneladas, mais para o centro da faixa, calcula Bruijn. No futuro, a Anglo planeja elevar sua capacidade nominal a 30 milhões de toneladas.

A mineradora trabalha para elevar a produtividade da planta de beneficiamento do Minas-Rio, com uso da separação magnética. A tecnologia reaproveita finos de minério que antes seriam descartados com o rejeito da operação. A expectativa é que o processo esteja a pleno vapor a partir de 2022, o que pode elevar a produção em 1 milhão de toneladas por ano.

Na operação de níquel, a Anglo injetará US$ 80 milhões na planta de Barro Alto, em Goiás. O foco é a tecnologia "bulk ore sorting", que detecta o teor do minério ainda na mina, permitindo a separação e melhor blendagem (mistura de substâncias para a criação de produtos uniformes).

Os primeiros resultados são esperados para a segunda metade de 2022. Hoje, a Anglo produz 43,5 mil toneladas anuais de ferro níquel em Barro Alto. A inovação promete um aumento de 5% a 6% na produtividade.

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