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12 de julho de 2013
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40 Anos da Método Engenharia

Ruy Ohtake e a Arquitetura Fraterna

Por Mariuza Rodrigues

O arquiteto Ruy Ohtake destaca a Arquitetura como o palco para as principais manifestações humanas, a grande área de convivência social, em todos os seus aspectos. Ele assina muitos dos mais modernos edifícios corporativos que dão a moderna cara da metrópole paulista, alguns deles construídos em parceria com a Método Engenharia. O Hotel Unique, na região dos Jardins, é um destes frutos, e tornou-se ícone da cidade, lembrado ao lado dos seus principais monumentos históricos e pontos turísticos. O hotel assim como o Instituto Tomie Ohtake foram assimilados como referências de uma arquitetura paulista, ousada, de vanguarda, que traz em suas linhas a inspiração plantada por Oscar Niemeyer, de quem Ruy é discípulo. “A Arquitetura é uma representação da dignidade humana e social e as áreas de convivência são o grande desafio das grandes cidades hoje, como São Paulo”, diz o arquiteto.

Grandes Construções – O Brasil está passando por uma modernização de sua infraestrutura. A Arquitetura Brasileira está sendo levada em conta nesse momento de transformação?

Ruy Ohtake –

A Arquitetura é uma expressão da cultura e, portanto, nós no Brasil, temos uma Arquitetura muito significativa, muito característica, que se destaca, se sobressai, se faz notar dentro de toda a Arquitetura mundial.  Se nota pela sua beleza, pela sua sensualidade, pela procura da surpresa, e provavelmente é uma das Arquitetura mais fraternas do mundo.  Eu faço muito esforço para que os meus projetos desenvolvam essa linha, que começou na fase contemporânea do Brasil, com Oscar Niemeyer, recentemente falecido. Ele deixou um conjunto de obras de importância não só para nós brasileiros, mas para o mundo todo e que dignificou muito a nossa cultura. E é nessa linha que eu pretendo sempre desenvolver os meus projetos.

Grandes Construções – A cidade do Rio de Janeiro vem se sobressaindo nesse processo de reestruturação urbana. Como o senhor vê esse momento do País e essa presença destes profissionais.

Ruy Ohtake –

O Rio de Janeiro, pelo fato de ter sido a primeira capital federal do Brasil, foi uma cidade muito importante, sediando as elites cultural e financeira. Tudo isso contornado por uma beleza fortíssima, pois o Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo.  Com a t

O arquiteto Ruy Ohtake destaca a Arquitetura como o palco para as principais manifestações humanas, a grande área de convivência social, em todos os seus aspectos. Ele assina muitos dos mais modernos edifícios corporativos que dão a moderna cara da metrópole paulista, alguns deles construídos em parceria com a Método Engenharia. O Hotel Unique, na região dos Jardins, é um destes frutos, e tornou-se ícone da cidade, lembrado ao lado dos seus principais monumentos históricos e pontos turísticos. O hotel assim como o Instituto Tomie Ohtake foram assimilados como referências de uma arquitetura paulista, ousada, de vanguarda, que traz em suas linhas a inspiração plantada por Oscar Niemeyer, de quem Ruy é discípulo. “A Arquitetura é uma representação da dignidade humana e social e as áreas de convivência são o grande desafio das grandes cidades hoje, como São Paulo”, diz o arquiteto.

Grandes Construções – O Brasil está passando por uma modernização de sua infraestrutura. A Arquitetura Brasileira está sendo levada em conta nesse momento de transformação?

Ruy Ohtake – A Arquitetura é uma expressão da cultura e, portanto, nós no Brasil, temos uma Arquitetura muito significativa, muito característica, que se destaca, se sobressai, se faz notar dentro de toda a Arquitetura mundial.  Se nota pela sua beleza, pela sua sensualidade, pela procura da surpresa, e provavelmente é uma das Arquitetura mais fraternas do mundo.  Eu faço muito esforço para que os meus projetos desenvolvam essa linha, que começou na fase contemporânea do Brasil, com Oscar Niemeyer, recentemente falecido. Ele deixou um conjunto de obras de importância não só para nós brasileiros, mas para o mundo todo e que dignificou muito a nossa cultura. E é nessa linha que eu pretendo sempre desenvolver os meus projetos.

Grandes Construções – A cidade do Rio de Janeiro vem se sobressaindo nesse processo de reestruturação urbana. Como o senhor vê esse momento do País e essa presença destes profissionais.

Ruy Ohtake – O Rio de Janeiro, pelo fato de ter sido a primeira capital federal do Brasil, foi uma cidade muito importante, sediando as elites cultural e financeira. Tudo isso contornado por uma beleza fortíssima, pois o Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo.  Com a transferência da capital federal para Brasília, entretanto, o Rio de Janeiro ficou meio esquecido. E agora tendo em vista alguns eventos importantes, não só no campo esportivo, mas também no campo religioso, e também cultural, o Rio de Janeiro retoma aquele brilho que já teve. Com essas obras novas, como a recuperação da área do porto do Rio de Janeiro (Porto Maravilha), a cidade se torna de novo, um centro de atração econômica e turística, com novas condições que são muito importantes atualmente para uma cidade moderna se desenvolver.

Grandes Construções – Com o senhor vê a cidade de São Paulo nesse cenário. Há um espaço aqui para a Arquitetura florescer?

Ruy Ohtake – Eu diria que São Paulo enxerga de uma forma muito curta a linha cultural, a linha arquitetônica. Ao se tornar uma das maiores cidades do mundo, o mesmo não aconteceu com a qualidade da Arquitetura, a qualidade da cidade. Nós temos problemas, mas nada disso impediria que a cidade tivesse obras contemporâneas em maior quantidade, com representação melhor. E que a cidade também tivesse uma identidade mais bonita, mais forte. Alguns aspectos, que temos foram muito colocados em segundo plano, por exemplo, como a recuperação da paisagem, ao longo do Rio Tietê; o aproveitamento melhor das represas, e da própria Arquitetura da cidade.

Grandes Construções – Uma pesquisa realizada por um site de viagens (TripAdvisor) divulgou uma lista com 124 pontos turísticos eleitos pelos internautas, para visitar na cidade. E o Hotel Unique aparece na 10ª posição, depois dos tradicionais pontos turísticos da cidade. Como se explica essa força do design do Unique.

Ruy Ohtake – O Hotel Unique se destaca pela sua forma surpreendente, pela sua colocação e implantação dentro da cidade de São Paulo, e por ser uma obra muito forte, e que determina uma identificação. O hotel tem uma significação tanto para as pessoas de formação mais simples, como para os professores, intelectuais, etc. Essa gama é o que identifica uma obra como bela, e surpreendente ao mesmo tempo, uma forma que seja arrojada e contemporânea.  São aspectos que fazem com que a Arquitetura venha representar um pouco o caráter da cidade. E no caso de São Paulo eu acho que o Hotel Unique tem uma identificação com aquilo que a gente fala do arrojo do paulista.  Ou sensualidade do brasileiro. São ingredientes que a gente não pode esquecer na Arquitetura. São ingredientes que levam ao desafio da Arquitetura, ao processo de pensamento, de fazer e construir cada vez mais interessante.

Grandes Construções – Esse projeto foi executado pela Método Engenharia, assim como  o Instituto Cultural Tomie Ohtake e diversos edifícios corporativos. Como foi essa parceria ao longo de sua trajetória profissional?

Ruy Ohtake – Eu aprecio muito o trabalho da Método pelo cuidado com que ela desenvolve a  obra  e pelo incentivo a pesquisa que ela permite nos seus projetos.  Foi ela que construiu o hotel Unique e também o instituto Tomie Ohtake. São duas obras que considero muito significativas e a contribuição da Método foi fundamental  no sentido de participar junto comigo para que a obra atingisse o nível que conseguimos. Isso porque a construtora tem assimilado dentro dela esse sentimento de construir com cuidado, com entusiasmo e fazendo com que a construção represente bem a Arquitetura e a técnica brasileira.

Grandes Construções – Gostaria que falasse um pouco sobre seu trabalho na favela do Heliópolis?

Ruy Ohtake – Foi um aprendizado mesmo. Eu aprendi muito ao elaborar esses projetos e conversar com a comunidade. E acho que eles aprenderam um pouco também comigo, e com as obras, que eu achei importante.  Toda obra tem de ser feita com qualidade, procurando uma dignidade e uma cidadania. Foi essa característica que eu procurei dar, ao máximo, aos projetos do Heliópolis, tanto nas construções residenciais, que o povo chama carinhosamente de Redondinhos, por que são prédios circulares, quanto nos outros projetos.  E eles são um grande orgulho para a população, algo que dá uma grande dignidade para a moradia. Aquele projeto pode ser feito tanto num bairro da classe média, ou até num bairro de poder aquisitivo maior. O importante é que haja Arquitetura, e uma dignidade para qualquer que seja o usuário morador.

Grandes Construções – Quais são os seus projetos preferidos?

Ruy Ohtake – Eu estou fazendo projetos dos quais eu gosto muito. Um é o Aquário do Pantanal, é uma obra que esta sendo construída pelo governo do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Esse aquário resumirá as espécies de peixe do Pantanal além de ser um centro cultural importante para a cidade e região. Outro projeto que eu gosto muito será o novo edifício da Escola Politécnica da USP. Esse edifício será destinado ao laboratório de invenção, o Poli Inova. Será um lugar onde os estudantes de engenharia terão um incentivo à criatividade. Outro projeto é o novo prédio da USP Leste, que terá um centro de convivência que inclui teatro, áreas de cultura e preservação da memória. São dois projetos que estou fazendo com muito entusiasmo. São bonitos. A Arquitetura tem de ser bonita, ter uma dose de arrojo, de ousadia, e assim avançar e contribuir com a cultura brasileira.